Tremores na costa de Maricá em 2026: o que está acontecendo no fundo do mar?

Notícias de Maricá

Reprodução da Internet

Nos últimos seis meses de 2026, a costa de Maricá passou a chamar a atenção após uma sequência de pequenos abalos sísmicos registrados pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR). Embora os tremores tenham despertado curiosidade e preocupação entre moradores, especialistas afirmam que o fenômeno faz parte da dinâmica geológica natural da margem continental brasileira e, até o momento, não representa risco significativo para a população.

A seguir, reunimos um panorama técnico dos eventos, suas possíveis causas, pareceres de especialistas e o que a ciência sabe sobre esse tipo de atividade sísmica.

Linha do tempo dos tremores registrados

DataLocal aproximadoMagnitudeSituação
21 de maioCerca de 100 km da costa de Maricá3,3Primeiro tremor da sequência
22 de maioMesmo setor marítimo3,1Réplica
21-22 de maioRegião offshoreOutros 2 eventosMagnitudes menores
26 a 30 de junhoLitoral entre Maricá e SaquaremaAté 2,5Nove pequenos tremores
4 de julhoAproximadamente 60 km da costa de Maricá3,0Tremor principal
4 de julhoMesmo local2,0Réplica

Onde ocorreram?

Todos os abalos ocorreram no Oceano Atlântico, distante da costa.

                COSTA FLUMINENSE

Rio de Janeiro Maricá Saquarema
| | |
------------------------------------------------ Costa

~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Oceano Atlântico ~~~~~~~~~~~~~~~~~~

● Maio (3,3 e 3,1)

● Julho (3,0)

● Junho
(9 tremores até 2,5)

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Plataforma Continental

Talude Continental

O que está provocando esses tremores?

Segundo o sismólogo Gilberto Leite, do Observatório Nacional, existem três fatores principais.

1. Tensões internas da Placa Sul-Americana

Embora o Brasil esteja distante dos limites entre placas tectônicas, a Placa Sul-Americana sofre compressões constantes.

Essas tensões acumulam energia lentamente durante décadas ou até séculos.

Quando encontram antigas falhas geológicas existentes sob o oceano, ocorre uma pequena ruptura que libera energia na forma de terremotos.

2. Reativação de falhas antigas

Grande parte da costa do Sudeste possui fraturas geológicas extremamente antigas.

Essas estruturas foram formadas durante a separação entre América do Sul e África, há cerca de 130 milhões de anos.

Hoje continuam existindo como pontos de fraqueza da crosta.

3. Talude Continental

Outro fator estudado pelos geólogos é o chamado Talude Continental.

Trata-se da região onde o fundo do mar passa rapidamente de aproximadamente 200 metros para milhares de metros de profundidade.

Nessa área podem ocorrer:

  • escorregamentos submarinos;
  • acomodação de sedimentos;
  • pequenas rupturas nas rochas.

Esses processos podem gerar tremores de baixa magnitude.

Parecer dos especialistas

Gilberto Leite — Observatório Nacional

Segundo o pesquisador:

“A margem sudeste brasileira é a principal zona sísmica offshore do país.”

Ele explica que pequenos terremotos são considerados normais naquela região e fazem parte da evolução geológica da margem continental.

Também afirma que eventos entre magnitude 2 e 3 são relativamente frequentes e não indicam qualquer processo anormal.

José Alexandre — Centro de Sismologia da USP

O pesquisador afirma que os eventos acontecem na região de transição entre a plataforma continental e o talude.

Segundo sua análise, existem duas hipóteses principais:

  • reativação de antigas falhas geológicas;
  • movimentação de grandes massas de sedimentos no fundo do mar.

José Alexandre também destaca que, desde a década de 1970, diversos terremotos semelhantes já foram registrados na mesma faixa da costa fluminense, indicando um comportamento recorrente.

Por que estamos ouvindo falar mais desses tremores?

Especialistas explicam que não significa que os terremotos estejam aumentando.

Na verdade, houve grande evolução no sistema de monitoramento da Rede Sismográfica Brasileira.

Hoje existem:

  • sensores mais sensíveis;
  • transmissão de dados em tempo real;
  • processamento automático;
  • mais estações espalhadas pelo país.

Dessa forma, pequenos tremores que antes passavam despercebidos agora são registrados com precisão.

Existe risco para Maricá?

Segundo os órgãos oficiais, não.

Os motivos são conhecidos.

Baixa magnitude

Eventos entre 2 e 3,3 liberam pouca energia.

Na maioria das vezes sequer são sentidos pela população.

Grande distância da costa

Os epicentros ficam entre aproximadamente 60 e 100 quilômetros mar adentro.

Grande parte da energia se dissipa antes de alcançar áreas urbanas.

Grande profundidade

Os abalos ocorreram abaixo do fundo oceânico, reduzindo ainda mais seus efeitos sobre a superfície.

Existe risco de tsunami?

A resposta dos especialistas é clara: não há indicação de risco.

Para ocorrer um tsunami normalmente são necessários:

  • terremotos acima de magnitude 7;
  • ruptura vertical do fundo do mar;
  • deslocamento de enorme volume de água.

Nada disso foi observado nos eventos registrados na costa fluminense.

Como funciona um sismógrafo?

Terremoto



Ondas Sísmicas



Sensor instalado no solo



Conversão em sinais elétricos



Computador



Sismograma

O equipamento registra três tipos principais de ondas:

  • Ondas P (primárias)
  • Ondas S (secundárias)
  • Ondas superficiais

A diferença entre os tempos de chegada permite calcular:

  • localização do epicentro;
  • profundidade;
  • magnitude.

Gráfico simplificado das magnitudes registradas

Magnitude

3,5 ┤
3,3 ┤ █ Maio
3,1 ┤ █ Maio
3,0 ┤ █ Julho
2,5 ┤ █ Junho
2,0 ┤ █ Réplica Julho
1,5 ┤
1,0 ┤

Histórico sísmico da costa fluminense

Os registros científicos mostram que essa região já apresentou diversos pequenos terremotos ao longo das últimas décadas.

Os eventos observados em 2026 seguem esse padrão histórico.

Até o momento:

  • nenhum causou danos estruturais;
  • nenhum gerou vítimas;
  • nenhum provocou tsunami.

Conclusão

A sequência de pequenos tremores registrada na costa de Maricá faz parte da dinâmica geológica natural da margem continental brasileira. Embora a frequência dos registros tenha aumentado nos últimos meses, especialistas do Observatório Nacional e do Centro de Sismologia da USP explicam que isso se deve principalmente ao avanço das redes de monitoramento, capazes de detectar eventos antes imperceptíveis.

Com magnitudes entre 2,0 e 3,3, os abalos ocorreram longe do continente e não oferecem risco significativo para a população. Ainda assim, o acompanhamento contínuo da atividade sísmica é importante para ampliar o conhecimento científico sobre a geologia da costa fluminense e aperfeiçoar os sistemas de monitoramento no país.

Reprodução da Inrternet

Leave a Reply