Com apoio do Governo Federal, município se prepara para integrar a rota nacional da pecuária de exportação, mesmo antes da inauguração do porto local
Fotos: Bernardo Gomes
A cidade de Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, está se posicionando estrategicamente para entrar de vez no mapa da exportação de gado vivo, uma das atividades que mais crescem no agronegócio brasileiro. Em uma reunião realizada nesta terça-feira (17/06), autoridades municipais, representantes do setor e do Ministério da Agricultura alinharam as primeiras ações que permitirão ao município integrar essa nova fase econômica, mesmo antes da conclusão do seu porto.
A construção do Porto de Maricá, prevista para começar no segundo semestre deste ano, será um dos pilares desse avanço. No entanto, mesmo com as obras ainda por iniciar, a cidade já possui potencial para funcionar como uma área de quarentena para os animais que serão exportados. Essa etapa é essencial no processo de embarque, pois permite o controle sanitário e o bem-estar do gado antes de seguir para outros países.
Segundo Raphael Moreira, superintendente do Ministério da Agricultura no Estado do Rio de Janeiro, Maricá está pronta para participar ativamente dessa nova fase do agronegócio fluminense. Ele destacou que “toda a logística da quarentena foi debatida e ficou claro que Maricá tem grande capacidade de receber o gado de diversas regiões do país antes da exportação. A cidade tem vocação para esse segmento e pode se tornar protagonista nessa área”.
No ano passado, o Brasil exportou mais de 1 milhão de cabeças de gado. Apenas em 2024, o Porto do Açu, em São João da Barra, foi habilitado como o primeiro ponto no estado para exportação de gado vivo. Cada navio transporta de 5 mil a 20 mil animais, e a expectativa é que com a abertura de novos portos, como o de Maricá, esse número cresça ainda mais.
A estimativa é que cada embarcação movimente cerca de R$ 400 milhões na economia estadual, um valor expressivo que impacta diretamente na geração de empregos e atração de novas empresas. O transporte dos animais, serviços veterinários, alimentação e toda a cadeia logística envolvida geram postos de trabalho em várias frentes, beneficiando a população local.
A implantação de uma unidade de pré-embarque em Maricá está prevista para ocorrer antes mesmo da inauguração oficial do porto. Com isso, a cidade poderá iniciar sua atuação no setor como base de confinamento e quarentena, utilizando outros portos já habilitados para efetuar o embarque.
A importância dessa iniciativa vai além do comércio exterior. O agronegócio é responsável por uma parte significativa do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, e a entrada do Rio de Janeiro nesse mercado, especialmente através de Maricá, reforça a diversidade econômica do estado.
Para o veterinário e empresário Renato Poubel, o município tem todos os requisitos para se tornar referência internacional no setor. “A demanda por exportação existe e é reprimida em muitos lugares. Maricá tem estrutura, espaço e agora caminha para ter também o porto. Isso pode transformar a cidade em um grande polo de exportação de gado para o mundo inteiro”, afirmou.
Além da atividade pecuária, Maricá vem trabalhando fortemente na diversificação de sua economia. A companhia Maricá Alimentos (Amar), que desenvolve estratégias no setor agroalimentar com base em biotecnologia, está diretamente envolvida nos planos de exportação de gado vivo. O presidente da empresa, Marlos Costa, reforçou que “há um esforço conjunto para transformar Maricá em um centro de excelência agropecuária. A exportação de gado é apenas um dos passos nesse processo mais amplo”.
A cidade também busca ampliar sua certificação sanitária. Atualmente, já existe um sistema de inspeção municipal em operação, conduzido pela Secretaria de Agricultura e Pecuária. Agora, o foco é conquistar o Selo de Inspeção Federal (SIF), emitido pelo Ministério da Agricultura. Com essa certificação, toda a produção local poderá ser comercializada em todo o Brasil e até em mercados internacionais.
A aposta de Maricá na exportação de gado vivo representa não apenas uma nova frente econômica, mas um símbolo de transformação e protagonismo em um setor essencial para o país. Com ações concretas, visão estratégica e foco no desenvolvimento sustentável, o município caminha para se consolidar como um dos principais polos do agronegócio nacional.




