Foto: Thamyris Mello
Evento em Maricá reuniu oficinas, rodas de conversa, apresentações tradicionais e shows musicais em homenagem ao Dia Municipal dos Povos Indígenas
Maricá viveu um dia marcado pela valorização da ancestralidade, da memória e do diálogo intercultural com a realização do evento Maricá Indígena, promovido pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Direitos Humanos e da Companhia de Cultura e Turismo de Maricá (Maré). A programação especial, realizada nas aldeias Mata Verde Bonita, em São José do Imbassaí, e Céu Azul, no Espraiado, celebrou o Dia Municipal dos Povos Indígenas com uma imersão nas tradições dos povos originários.
Ao longo do dia, moradores e visitantes participaram de atividades que fortaleceram a conexão com a cultura indígena e ampliaram o conhecimento sobre os saberes ancestrais presentes em Maricá.
Segundo o presidente da Maré, Antônio Grassi, a celebração representa um marco importante no calendário do município.
“É um dia especial que marca Maricá e os povos indígenas dentro do calendário da cidade. Precisamos expandir essa celebração”, destacou.
Oficinas, tradições e troca de saberes movimentaram as aldeias em Maricá
A programação reuniu oficinas de língua nativa, práticas de arco e flecha, rodas de conversa, exibições audiovisuais, além de experiências ligadas à culinária tradicional e feiras de artesanato indígena.
Entre os momentos mais simbólicos estiveram as apresentações do Coral Para Poty e da tradicional Dança dos Xondaros, que emocionaram o público e reforçaram a riqueza cultural preservada nas aldeias de Maricá.
Para o artesão Karai Tenondê, da Aldeia Céu Azul, iniciativas como essa ajudam a manter viva a memória dos povos originários.
“Esse dia é essencial porque mostra como preservar tradições nessa e na próxima geração, ajudando a manter a nossa cultura viva”, afirmou.
Além disso, o evento atraiu moradores da cidade e visitantes de municípios vizinhos, fortalecendo a proposta de intercâmbio cultural.
Evento em Maricá reforça combate ao preconceito e valorização da ancestralidade
Para muitos participantes, o encontro teve também um papel educativo. A moradora Ana Leite destacou que ações como essa ajudam a desconstruir estigmas históricos sobre os povos indígenas.
“O evento é muito importante para desconstruir estereótipos em relação à população indígena. Tudo de forma integrada a outras atividades, inclusive às escolas. Isso educa a população e acaba com preconceitos”, comentou.
Já Bia Alencar, de Niterói, ressaltou o caráter afetivo da experiência e a conexão com a ancestralidade.
“É um momento de reconexão com o passado e a ancestralidade. Sempre trago meu filho e meu afilhado nesse evento que só tem a agregar, nos fortalecendo e nos aproximando do passado e presente”, disse.
Esse diálogo entre tradição, educação e pertencimento foi um dos pilares da programação em Maricá, que buscou ampliar a visibilidade dos povos originários e seu papel na construção da identidade brasileira.
Arte indígena e literatura ganham espaço em celebração dos povos originários
A valorização artística também teve protagonismo no evento. O público acompanhou o lançamento de livros de escritores da etnia Guarani e um desfile de moda indígena, que apresentou criações têxteis produzidas nas aldeias.
As atividades destacaram a força da produção cultural indígena contemporânea e mostraram como tradição e inovação caminham juntas.
Em Maricá, a arte apareceu como instrumento de resistência, expressão e afirmação identitária.
Show do Ponto de Equilíbrio encerra programação com música e celebração
Fechando a programação na Aldeia Mata Verde Bonita, o grupo de reggae Ponto de Equilíbrio levou ao palco sucessos conhecidos pelo público, como Árvore do Reggae e Aonde Vai Chegar.
O encerramento também contou com apresentações de Kandú Puri e da dupla Betinho Bahia e Ismayer Alves, ampliando o clima de celebração.
Para Ingrid Guimarães, moradora de São Gonçalo, a iniciativa oferece uma oportunidade rara de conhecer de perto a vivência indígena.
“É fundamental ter esses eventos e poder ver de perto a cultura deles. Quando vi a programação, me interessei em participar e gostei bastante”, relatou.
Com atividades que uniram cultura, memória, arte e música, Maricá reforçou, mais uma vez, seu compromisso com a valorização dos povos originários e com a preservação de saberes ancestrais que seguem vivos nas aldeias do município.
Fotos: Thamyris Mello








