Com quase 2 mil pessoas alfabetizadas, município inicia nova etapa do projeto “Sim, Eu Posso” em julho
Maricá, na região metropolitana do Rio de Janeiro, dá início neste mês de julho a uma nova etapa da sua jornada de alfabetização popular. Utilizando o método cubano “Sim, Eu Posso” — reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) —, o município já garantiu o acesso à leitura e à escrita para quase 2 mil pessoas desde 2023.
Mais do que ensinar letras e palavras, o projeto parte da vivência dos próprios educandos. Elementos como cultura, identidade e histórias de vida são integrados às aulas, tornando a alfabetização um processo mais humano, respeitoso e significativo.

Foto: Equipe de Comunicação da Jornada Sim, Eu Posso
Educação que transforma histórias
Antes mesmo do início das aulas, a mobilização comunitária já começa. Educadores e agentes do projeto percorrem bairros, feiras, canteiros de obra, pontos de ônibus e até praias, em busca ativa por pessoas em situação de analfabetismo. O contato direto e sensível é parte fundamental da construção dessa jornada.
Em seguida, os educadores passam por uma formação intensa, que envolve temas como cultura, identidade, história da educação popular e planejamento pedagógico. Essa preparação visa garantir não só a eficácia do método, mas também o respeito e a escuta ativa de quem está aprendendo.

Foto: Equipe de Comunicação da Jornada Sim, Eu Posso!
Conhecimento que gera dignidade
Cada aluno tem um motivo único para iniciar sua alfabetização. Alguns querem ler a Bíblia, entender receitas ou rótulos de medicamentos. Outros sonham em tirar a carteira de motorista, escrever bilhetes para os netos ou conseguir um emprego melhor.
Segundo Paula França, coordenadora pedagógica do projeto em Maricá, muitos educandos relatam mudanças emocionantes em suas rotinas após aprenderem a ler e escrever: mais confiança, menos vergonha, mais autonomia. “Tem histórias que marcam a gente, como a filha que alfabetizou a própria mãe com mais de 60 anos, ou o educador indígena da Aldeia Mata Verde Bonita que hoje leciona na escola”, conta.
Planejamento, inclusão e continuidade
O programa é dividido em cinco fases: mobilização e diagnóstico territorial, formação dos educadores, busca ativa dos educandos, desenvolvimento das aulas e formatura. Essa metodologia também contribui para fortalecer a rede de políticas públicas locais.
Nos dois primeiros anos, o projeto conseguiu alcançar mais de 20 mil pessoas em Maricá, das quais quase 2 mil foram identificadas em situação de analfabetismo e passaram a integrar as turmas. Para 2025, a meta é alfabetizar mais 700 pessoas e consolidar a fase dois, que aprofunda temas como saúde, história, identidade, agroecologia e direitos sociais.
Alfabetizar é libertar
A proposta da jornada vai muito além da sala de aula. É uma ação cidadã, que reforça o direito de todos à educação e combate séculos de exclusão social.
Maricá prova, com seu compromisso contínuo, que erradicar o analfabetismo é possível quando se investe com seriedade, sensibilidade e planejamento. E o “Sim, Eu Posso” tem mostrado que, sim, todos podem — desde que tenham oportunidade.

Foto: Equipe de Comunicação da Jornada Sim, Eu Posso!

