Representantes do Níger, Mali e Burkina Faso visitam projetos locais em parceria com o MST
A Prefeitura de Maricá recebeu nesta quinta-feira (18/09) uma comitiva de países africanos interessados em conhecer de perto os programas sociais do município. A visita, organizada em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), integra um curso de formação política realizado pela Escola Nacional Florestan Fernandes, em São Paulo, e reúne representantes do Níger, Mali e Burkina Faso — países da região do Sahel, marcada por processos de descolonização e mobilizações populares.
Intercâmbio cultural e político
De acordo com Jean Carlo Pereira, coordenador do MST-RJ, o encontro fortalece a troca de experiências entre diferentes continentes. “Eles vieram conhecer experiências concretas que estamos desenvolvendo junto com a Prefeitura de Maricá. A cidade é importante por conta dessa parceria, que cria projetos capazes de transformar a vida das pessoas”, afirmou.
Quem participou da comitiva
A Confederação de Estados do Sahel foi representada por lideranças de diferentes áreas sociais e políticas. Entre os visitantes estavam:
- Amina Hamani (Níger) – líder do Movimento Revolucionário das Mulheres Pan-Africanas (Morfepan);
- Ibrahima Kebe (Mali) – coordenador da Escola Modibo Keïta;
- Inoussa Ganbaaga (Burkina Faso) – membro do Comitê Memorial Thomas Sankara e dos Comitês de Defesa da Revolução;
- Kounharè Dabire (Burkina Faso) – secretário-geral da Coordenação Nacional das Associações de Vigilância Cidadã (CNAVC).
Programas visitados em Maricá
Durante a visita, o grupo conheceu o projeto de alfabetização “Sim, eu Posso!”, o Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara e o programa Horta em Casa, desenvolvido em parceria com a cooperativa Cooperar. Nesta sexta-feira (19/09), a agenda inclui visitas à Praça Agroecológica de Araçatiba e ao Banco Mumbuca, referência internacional em economia solidária.
Conexões entre o Sahel e a América Latina
Amina Hamani destacou a emoção de encontrar semelhanças entre as lutas africanas e latino-americanas. “Quando cheguei a São Paulo, encontrei irmãos e irmãs que compartilham a mesma realidade de luta por terra, liberdade e direitos. No Sahel é a mesma causa”, afirmou.
Já Kounharè Dabire ressaltou a organização popular brasileira como um aprendizado valioso para levar de volta à África. “As organizações de base no Brasil me impressionaram muito. Não é apenas uma questão de recursos, mas de vontade de fazer. Esse exemplo será levado conosco”, destacou.
Maricá como referência internacional
Com experiências que vão da alfabetização popular até a economia solidária, Maricá se consolida cada vez mais como referência internacional em políticas públicas inclusivas. A visita da comitiva africana reforça o papel da cidade como polo de inovação social e troca de saberes entre povos que compartilham histórias de resistência.

