Foto: Cintia Chermont
Décima primeira edição da Festa Literária reúne escritores, educadores, artistas e leitores na Orla do Parque Nanci; evento gratuito segue até 8 de novembro, com atrações para todas as idades
A literatura ganhou destaque em Maricá nesta sexta-feira (30/10), com a abertura da 11ª Festa Literária Internacional de Maricá (FLIM 2026). Realizado na Orla do Parque Nanci, o evento começou com uma homenagem à filósofa, escritora e professora Marilena Chauí, além de debates sobre representatividade, educação e o papel dos livros na construção de uma sociedade mais consciente e inclusiva.
Com entrada gratuita e programação até o dia 8 de novembro, a festa reúne diferentes expressões culturais e oferece ao público uma oportunidade de aproximação com o universo literário. Entre os destaques do primeiro dia estiveram a participação remota de Marilena Chauí, o encontro da jornalista Aline Midlej com a professora Bárbara Carine e as atividades voltadas ao público infantil.
Marilena Chauí recebe homenagem na abertura
A cerimônia de abertura teve como um de seus momentos especiais a participação, por videoconferência, de Marilena Chauí, professora emérita da Universidade de São Paulo (USP) e referência nacional no pensamento filosófico. Ao longo de sua trajetória, a intelectual desenvolveu importantes reflexões sobre democracia, liberdade, cultura, conhecimento e cidadania.
Em sua manifestação, a homenageada agradeceu o reconhecimento e destacou a emoção de participar da celebração dedicada aos livros e à leitura.
“Obrigada por me darem essa alegria, diante disso que eu chamo ‘o esplendor do livro’”, declarou.
Durante a solenidade, o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, ressaltou a importância de estimular o contato das novas gerações com a literatura e criar oportunidades para que a população desenvolva suas próprias experiências culturais.
“Temos que levar a leitura para as nossas crianças e para o nosso povo, incentivar o hábito de escrever e fazer com que nossa cabeça ganhe o mundo através da leitura. A FLIM e o Maricá Games precisam ser a culminância desse trabalho ao longo do ano, um espaço para que crianças, jovens e idosos apresentem seus livros, suas poesias e suas histórias”, afirmou.
O secretário de Educação, professor Rodrigo Moura, também destacou o fortalecimento das políticas de incentivo à leitura. Nesta edição, o valor do benefício disponibilizado pelo FlimCard foi ampliado para R$ 300, permitindo que estudantes e profissionais da educação contemplados tenham mais possibilidades de escolha na aquisição de livros.
“Queremos que todos tenham acesso ao livro e à leitura. A liberdade é algo muito caro para nós”, declarou.
A língua portuguesa como elo entre culturas
Outro destaque da programação é o projeto “Língua ao Mar — A arte que fala português”, iniciativa que aproxima manifestações culturais de diferentes países e comunidades que compartilham o idioma português.
A proposta reúne literatura, poesia, música e audiovisual, valorizando especialmente as conexões culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa.
O presidente da Companhia de Cultura e Turismo de Maricá (MARÉ), Antônio Grassi, destacou a importância de levar o projeto para dentro da festa literária.
“É muito especial trazer o nosso projeto Língua ao Mar para esta edição da FLIM. A MARÉ desenvolve essa iniciativa desde o ano passado, com a proposta de valorizar a arte que fala português. Temos um olhar atento para os povos que compartilham a nossa língua, especialmente os dos países africanos”, explicou.
Primeiro dia registra venda de 15 mil livros
O interesse do público pela feira também apareceu nos primeiros números divulgados pela organização. De acordo com o balanço parcial apresentado pela presidente do Banco Mumbuca, Manuella Mello, aproximadamente 15 mil livros foram comercializados já no primeiro dia da FLIM.
As vendas movimentaram cerca de 600 mil mumbucas desde o início da manhã, resultado que demonstra a adesão dos participantes à iniciativa de incentivo à leitura.
O Banco Mumbuca é responsável pela operacionalização do FlimCard, benefício que disponibiliza R$ 300 para a compra de livros aos estudantes e profissionais da educação contemplados.
Além de estimular a circulação de obras literárias, a iniciativa permite que cada beneficiário escolha os títulos de sua preferência, aproximando o leitor de diferentes autores, gêneros e histórias.
Aline Midlej e Bárbara Carine discutem literatura, representatividade e liberdade
Antes mesmo da abertura oficial, o espaço Papo FLIM/Língua ao Mar recebeu um encontro que trouxe importantes reflexões sobre diversidade, identidade e transformação social.
Às 14h30, a jornalista Aline Midlej e a professora Bárbara Carine participaram da conversa “Palavras que libertam: leituras negras, futuros livres”, mediada pelo secretário de Educação, Rodrigo Moura.
O diálogo abordou a literatura como instrumento de transformação, destacando a importância de ampliar a presença de autores negros e permitir que diferentes experiências e perspectivas encontrem espaço nas páginas dos livros e no cotidiano da sociedade.
Durante o encontro, Bárbara Carine chamou atenção para a capacidade da leitura de modificar a maneira como as pessoas interpretam o mundo e compreendem as experiências alheias.
“Uma mesma palavra pode ter um significado muito diferente para cada um de nós. O livro nos dá a oportunidade de revisitar essa palavra e de ter tempo para compreendê-la de outra forma. Quando lemos sobre a dor, seja numa ficção ou num livro de reportagem, como essa dor chega até nós? Como essa experiência nos ajuda a compreender a dor do outro? A cada leitura, as palavras ganham novos significados para o leitor”, comentou.
Aline Midlej, por sua vez, ressaltou a necessidade de construir espaços mais democráticos, nos quais diferentes vozes e histórias possam ser reconhecidas.
“Como é que a gente constrói espaços onde possam caber todas as assinaturas possíveis? As palavras estão aí como instrumento para a gente se reumanizar como país”, afirmou a jornalista.
FLIMzinha leva diversão e cultura para as crianças
A programação de abertura também reservou espaço para os pequenos leitores e suas famílias. Na FLIMzinha, as crianças participaram de atividades de pintura facial, acompanharam uma apresentação teatral e se divertiram com o espetáculo das Guerreiras do K-pop.
Já a Arena do Estudante recebeu a apresentação de Muriquinho Pequenino, ampliando as opções de entretenimento e contato com manifestações artísticas.
A estrutura da festa foi organizada para atender diferentes públicos e interesses. Além da Feira do Livro e dos espaços destinados aos escritores locais, os visitantes encontram a FLIMzinha, a Arena do Estudante, a Rádio FLIM e o Papo FLIM/Língua ao Mar.
O Maricá Games e o Congresso da União Maricaense dos Estudantes (UMES) também fazem parte da programação, ampliando o diálogo entre literatura, educação, tecnologia e juventude.
Festa literária segue até 8 de novembro
Com uma programação que aproxima leitores, escritores, educadores e artistas, a FLIM 2026 transforma a Orla do Parque Nanci em um espaço de convivência, conhecimento e valorização da cultura.
A expectativa é que, ao longo dos dez dias, o público tenha acesso a diferentes experiências literárias e culturais, reforçando a importância da leitura como ferramenta de aprendizado, expressão e participação social.
A 11ª Festa Literária Internacional de Maricá é realizada pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Educação e da Companhia de Cultura e Turismo de Maricá (MARÉ).
Serviço — FLIM 2026
- Período: de 30 de outubro a 8 de novembro de 2026.
- Local: Orla do Parque Nanci, Maricá.
- Entrada: gratuita.
Fotos: Elsson Campos







Fotos: Cintia Chermont





Fotos: Katito Carvalho




