
Dra. Claudine Castro
Nutricionista
CRN 25106415
Voce sabe o que é GLP-1?
GLP-1 é um hormônio produzido pelo intestino que regula a glicose no
sangue, estimula a secreção de insulina e promove saciedade, sendo usado no
tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade.
Os medicamentos análogos de GLP-1, inicialmente desenvolvidos para
controle glicêmico no diabetes tipo 2, são atualmente, uma das abordagens mais
eficazes para o manejo da obesidade, demonstrando significativa redução de peso
e prolongamento do estado de saciedade.
Eles atuam de forma abrangente no organismo, sendo essencial
implementar estratégias de suporte nutricional, porque a ingestão de
micronutrientes e macronutrientes será impactada pela redução da ingestão
alimentar, resultando em potenciais deficiências e desequilíbrios nutricionais.


Tratamento
Ao iniciar o tratamento, é importante checar a saúde geral. O
acompanhamento do médico e do nutricionista, durante e após o uso desses
medicamentos é fundamental para garantir a qualidade de vida do paciente.
Durante os tratamentos, alguns efeitos são esperados:
A supressão de apetite
Alcance rápido da saciedade durante as refeições
Há relatos de pacientes que mencionam náuseas leves ao tentarem se
alimentar durante a sensação de saciedade. Isso pode prejudicar a ingestão de
nutrientes necessários para a saúde e o metabolismo, sendo importante o
acompanhamento e a reposição nutricional, principalmente de proteínas, fibras,
vitaminas e minerais, além da manutenção da hidratação adequada.
Constipação e a diarreia
O uso de fibras e probióticos, além de uma boa hidratação, é importante
para amenizar esses efeitos, assim como para contribuir para a absorção dos
nutrientes consumidos.
Perdas de massa muscular e óssea
Em dietas altamente restritivas pode-se chegar a 2,5kg de músculo para
cada 10kg de peso eliminado. Esta perda acarreta não apenas flacidez, mas
também um menor gasto energético, gerando riscos além da obesidade.
A queda da densidade óssea também é um ponto importante durante as
restrições calóricas, pois a baixa de nutrientes leva o organismo a um processo de
reabsorção e de menor síntese desse tecido, principalmente em mulheres.
A importância do suporte nutricional envolve um olhar integrativo,
principalmente na Saúde intestinal, nível de hidratação e equilíbrio de nutrientes.
Desmame gradual: a importância e os desafios
Nesse período, os cuidados nutricionais seguem os mesmos adotados
durante o tratamento, com atenção à quantidade de fibras e proteínas consumidas,
ao equilíbrio de vitaminas e minerais, à hidratação e à saúde intestinal.
Os principais pontos desafiadores a serem acompanhados nessa etapa,
para que não ocorra a recuperação de peso, que pode chegar a até dois terços do
peso perdido, após 1 ano do fim do tratamento, são:
- O retorno da sensação de fome
- Possíveis flutuações nos níveis glicêmicos
- A volta do desejo por alimentos calóricos, que pode ocorrer junto às flutuações
nos níveis glicêmicos; - Impactos emocionais e motivacionais do pós tratamento.
- Estímulo à produção endógena de GLP-1
- Modulação intestinal
- Moduladores de serotonina e adaptógenos
Estratégias para o pós-tratamento com os análogos de GLP-1
Após a fase de desmame dos análogos de GLP-1, inicia-se um novo desafio
clínico: a consolidação dos resultados obtidos durante o tratamento, agora sem o
suporte farmacológico direto.
Nessa etapa, o organismo passa por um processo de adaptação fisiológica
e comportamental, que exige atenção redobrada na composição da dieta, ao estilo
de vida e à continuidade do suporte nutracêutico.
O acompanhamento deve incluir a reavaliação das estratégias utilizadas
durante o desmame: equilíbrio entre macronutrientes, fibras, hidratação e
micronutrientes, que continuam sendo a base essencial para sustentar o peso
corporal, preservar a massa magra e manter o controle glicêmico no longo prazo.
Nesse cenário, o papel dos profissionais da saúde, médico e nutricionista, é
fundamental para: monitorar, ajustar e conduzir cada etapa do tratamento com
conhecimento técnico, sensibilidade clínica e embasamento científico, garantindo
benefícios sustentáveis e seguros, promovendo resultados duradouros e reais
transformações na vida dos pacientes.
O emagrecimento é considerado bem-sucedido quando há manutenção do
peso perdido a longo prazo.
A estratégia de descontinuação ao final do tratamento deve ser
cuidadosamente planejada.
Estudos recentes indicam que a sustentabilidade do peso constitui um
desafio significativo, e que pacientes, mesmo após realizarem modificações em
seu estilo de vida, com a adoção de uma alimentação restritiva e a prática de 150
minutos de exercícios semanais, recuperaram parte do peso perdido após
interromper o tratamento.
Portanto lembrem-se da matéria anterior: dietas restritivas não
beneficiam a saúde e a perda de peso. O planejamento alimentar é essencial para
o sucesso do tratamento.
Dra. Claudine Castro
Nutricionista
CRN 25106415

