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Dra Claudine Castro (Nutricionista)
Quando falamos em emagrecimento e alimentação saudável, muitas
vezes pensamos em planos alimentares rígidos, cheios de regras e restrições,
porém a prática clínica e científica nos mostra que a realidade é bem diferente.
A maioria das pessoas acham que para perder peso, basta fechar a boca
e praticar mais exercício físico. Isso pode funcionar por um curto período, mas
não a longo prazo.
Quando alguém quer perder peso, deseja que isso aconteça rapidamente.
Acredita que vai precisar passar fome e vê essa situação sob uma perspectiva
negativa, fazendo com que opte por uma dieta que cause maior perda de peso
em menos tempo. As chamadas dietas restritivas.
Essas dietas causam muito mais prejuízos do que se pode imaginar, tanto
no aspecto físico, fisiológico e psicológico, fazendo acreditar que a culpa por não
perder peso é da própria pessoa e que ela não tem força de vontade.
Porque dieta restritiva não é a melhor opção?
Para realizarmos atividades básicas como caminhar, subir escadas,
realizar atividades físicas, respirar, pensar, dormir, digerir, bombear sangue, se
aquecer, nosso organismo queima energia, que chamamos de calorias.
Ou seja, necessitamos de uma quantidade mínima de energia (calorias) que o
corpo gasta em repouso para manter funções vitais, como respiração,
batimentos cardíacos e temperatura corporal, que chamamos de TMB ( taxa
metabólica basal).
A TMB é o gasto energético necessário para manter o corpo vivo em
repouso absoluto.
Ao seguir uma dieta restritiva, ingerindo menos do que necessita,
deixando de fornecer ao corpo as calorias que ele precisa, ele entrará no modo
“economia de energia”. Ele se ajustará para economizar energia e preservar
reservas, tonando mais difícil o processo de emagrecimento.
Isso se chama adaptação metabólica.
O que é adaptação metabólica?
Ao optar por dietas restritivas, o corpo se torna preguiçoso e se adapta a
viver com menos energia (calorias), paralisando processos naturais de rotina,
causando problemas de sono, cansaço, sente-se mais frio e sem disposição, etc.
Acontece que, quando o indivíduo volta a ingerir as calorias na proporção
anterior, o organismo enlouquece: sobram calorias, porque o corpo já estava
acostumado a viver com pouca energia. Assim, as calorias que sobram são
armazenadas em forma de gordura, gerando um ganho de peso muito maior.
Além disso, todo esse tempo passando fome, sem ingerir os nutrientes
essenciais e sem energia necessária, qualquer indivíduo se torna ansioso por
comer alimentos com alta carga energética, por ex. doces, ultraprocessados,
frituras, a fim de preencher o vazio, o chamado efeito rebote. Recuperação do
peso perdido e com brinde de mais alguns Kg, pelos danos causados ao corpo
e pela inflamação desencadeada.
Consequências das dietas restritivas:
Portanto com esse tipo de dieta, entramos num ciclo, do qual é difícil de
sair.
- A gordura que se ganha nesse ciclo de dietas nunca é completamente
perdida, pois uma vez que células de gorduras são criadas (os adipócitos),
eles aumentam ou diminuem, mas não desaparecem. - Diminui a massa muscular
- Gera inflamação
- Enfraquece o sistema imunológico
- Aumenta a ansiedade por comida
- Instabilidade emocional
- Desenvolve uma visão negativa sobre alimentação saudável
Por isso, sempre digo que a melhor dieta não é a mais famosa, nem
a mais restritiva, mas sim aquela que o paciente consegue seguir de forma
consistente, planejada junto com o nutricionista, que saberá aplicar a
melhor estratégia de acordo com a fase do tratamento.
E por que essa ideia é tão importante? - Adesão é fundamental: não adianta prescrever uma dieta perfeita no
papel se ela não se encaixa na rotina, nos hábitos culturais e nas
preferências do paciente. - Respeito à individualidade: cada pessoa tem necessidades diferentes,
tanto nutricionais quanto emocionais. Uma dieta deve considerar estilo de
vida, horários, condições de saúde e até aspectos sociais. - Sustentabilidade a longo prazo: O sucesso está em mudanças graduais
e realistas. - Equilíbrio emocional: quando o paciente sente que a dieta é possível,
ela deixa de ser um fardo e passa a ser parte natural da vida.
Mais do que seguir regras, trata-se de construir um caminho alimentar que seja
saudável, viável e duradouro. Afinal, não existe dieta milagrosa: existe disciplina,
adaptação e respeito à individualidade. O nutricionista é o profissional
capacitado para te mostrar o caminho mais seguro para alcançar o que
necessita.
A melhor dieta é aquela que você consegue viver, e não apenas
suportar. - https://www.instagram.com/claudinecastro.nutri/
- Dra. Claudine Castro
Nutricionista
CRN 25106415
Referências:
MOÑINO, Sandra. O fim da inflamação. Rio de Janeiro: Harper Collins, 2025
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