Foto: Wandrya Pinheiro
Fígado, rins e córneas foram doados por paciente de Maricá e beneficiarão pessoas na fila do SUS
Um gesto de solidariedade que transforma vidas. Nesta quarta-feira (16/07), o Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara, em São José do Imbassaí, foi palco de mais uma importante ação humanitária: a quinta captação múltipla de órgãos realizada este ano na unidade. A doadora, uma mulher de 35 anos, moradora de Itaipuaçu, teve morte encefálica confirmada. Graças à decisão de sua família, fígado, rins e córneas foram doados, beneficiando ao menos cinco pessoas que aguardavam por um transplante no Sistema Único de Saúde (SUS).
Essa ação, coordenada pela Secretaria de Saúde de Maricá, reafirma o compromisso da cidade com políticas públicas voltadas à preservação da vida — mesmo em meio à dor da perda.
Maricá em destaque na doação de órgãos
Desde a criação da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), em 2022, o hospital já registrou a abertura de 33 protocolos de morte encefálica. Desses, 16 resultaram em captação efetiva, totalizando 172 estruturas corporais recolhidas, entre órgãos, globos oculares e tecidos.
Um marco relevante na agilidade desses procedimentos foi a implantação do heliponto da unidade, em julho de 2024. Graças a uma parceria com a Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar), o transporte dos órgãos passou a ser realizado com mais rapidez e segurança, aumentando as chances de sucesso nos transplantes.
Compromisso com a vida
Para o secretário de Saúde de Maricá, Marcelo Velho, essa nova captação representa mais que um dado estatístico — é um símbolo do avanço da saúde pública no município.
“A cada captação realizada, reafirmamos nosso compromisso com a vida. Neste ano, já são cinco ações como essa, que beneficiam diretamente quem aguarda na fila do SUS. É uma conquista construída com estrutura, responsabilidade e sensibilidade humana”, destacou o secretário.
Um gesto de amor que inspira
A diretora-geral do Hospital Che Guevara, Ana Paula Silva, fez questão de homenagear a família da doadora e enalteceu o trabalho da equipe multidisciplinar envolvida.
“Esse é um ato de amor incondicional. A família da paciente permitiu que outras pessoas pudessem viver e recomeçar. Nossa equipe da CIHDOTT, preparada e acolhedora, conduz o processo com excelência. Seguimos investindo em saúde pública de qualidade, com o apoio da Prefeitura e do prefeito Washington Quaquá”, afirmou.
Entenda como funciona a doação de órgãos
A captação de órgãos começa com a identificação de um quadro clínico sugestivo de morte encefálica. A partir daí, entra em ação a CIHDOTT, que faz a abordagem familiar com acolhimento e profissionalismo, respeitando todas as normas éticas e legais.
É fundamental que o desejo de ser doador seja comunicado à família com antecedência. Isso porque, mesmo que a pessoa tenha manifestado essa vontade em vida, a autorização formal para a doação só pode ser concedida por familiares de até segundo grau.
Doar é um ato de amor que se multiplica
Cada captação representa não apenas um avanço técnico, mas uma esperança renovada para quem luta por uma nova chance. A cidade de Maricá, por meio de suas políticas públicas de saúde, tem se mostrado protagonista nessa causa, construindo pontes entre a dor e a possibilidade de recomeço.
Em um mundo onde o tempo faz toda a diferença, doar é permitir que o tempo de alguém continue a correr.
Foto: Wandrya Pinheiro


