Foto: Anselmo Mourão
Obra ressalta a experiência pioneira da cidade com economia solidária e renda básica, atraindo atenção internacional
A cidade de Maricá se tornou, mais uma vez, vitrine mundial de políticas públicas inovadoras. Durante a abertura oficial do 24º Congresso da Rede Mundial de Renda Básica (BIEN 2025), realizada nesta segunda-feira (25/08), no Cine Henfil, foi lançado o livro “Moedas Sociais – A Moeda Mumbuca de Maricá e outros exemplos”, escrito por Diego Zeidan. A publicação inaugurou a programação do maior evento internacional sobre renda básica e deu destaque ao modelo maricaense de inclusão social por meio de moeda própria.
A obra apresenta a trajetória do Banco Mumbuca e detalha o funcionamento do Programa de Renda Básica de Cidadania (RBC), implementado em 2013 e hoje reconhecido globalmente. Com base em dados, análises e relatos, o livro mostra como a moeda social movimenta mais de 22% da economia local, beneficiando cerca de 32 mil famílias em situação de vulnerabilidade, que recebem mensalmente R$ 230 por integrante.
Além do caso de Maricá, o autor traz um panorama de outras experiências de moedas sociais no Brasil, como as implantadas em Niterói, Cabo Frio, Petrópolis e Macaé — muitas inspiradas no modelo maricaense, que já se consolidou como referência.
Impacto e reconhecimento internacional
A escolha de Maricá como sede do BIEN 2025 reforça o prestígio conquistado pela cidade no cenário global, justamente pelo sucesso de sua política de renda básica implementada com moeda social. Para o secretário de Economia Solidária e Empreendedorismo Social, Matheus Gaúcho, o lançamento do livro simboliza um passo importante.
“Compartilhar essa experiência com o mundo amplia o alcance da nossa prática e inspira novas soluções sociais. É muito simbólico encerrar o primeiro dia do BIEN com esse lançamento”, afirmou.
Diego Zeidan, autor da obra, destacou o valor histórico do momento:
“Fiz questão de lançar o livro junto ao Congresso da BIEN, o maior fórum mundial sobre renda básica. A Mumbuca é mais que uma moeda: ela representa dignidade e justiça social. Maricá é uma das poucas cidades do mundo que conseguiu transformar a renda básica em realidade por meio de uma moeda social”, disse.
Voz da comunidade
Para os moradores, a publicação reforça a importância de registrar a experiência da cidade. A assistente social Thaísa Freitas, do bairro Boqueirão, ressaltou:
“O tema da moeda social faz parte do nosso cotidiano. Quanto mais pessoas conhecerem essa revolução silenciosa, mais próximo estaremos de um Brasil mais justo e igualitário.”
Cultura e reflexão no mesmo palco
O lançamento ocorreu logo após a exibição do documentário “After Work”, do diretor ítalo-sueco Erik Gandini, que aborda o futuro do trabalho em uma era marcada pela automação e pela inteligência artificial. A sessão foi seguida de um debate com o cineasta, conectando arte, reflexão e as discussões centrais do BIEN 2025.
Programação internacional segue até sexta-feira
O congresso prossegue até sexta-feira (29/08), entre Maricá e Niterói, reunindo nomes de destaque como Eduardo Suplicy, Philippe Van Parijs, Sarath Davala, Laura Carvalho e Louise Haagh. Serão cinco dias de palestras, debates e apresentações que buscam apontar caminhos para a renda básica e novas formas de proteção social.
Organizado pela Rede Mundial de Renda Básica, em parceria com a Rede Brasileira de Renda Básica, o CEDE/UFF e a Síntese Eventos, o encontro tem apoio da Prefeitura de Maricá, Prefeitura de Niterói, Faperj, Capes, CNPq, Universidade de Vassouras e Fundação de Arte de Niterói (FAN).
A programação completa pode ser consultada no site oficial do evento: www.bien2025.com.br
Fotos: Anselmo Mourão


























