“A fotografia é parte da minha identidade”: uma conversa com a fotojornalista Márcia Foletto

Foto: Reprodução Internet Por Anselmo Mourão – Portal ACONTECEU MARICÁ Com quase quatro décadas dedicadas ao fotojornalismo, Márcia Foletto é uma das profissionais mais respeitadas do país. Gaúcha de Santa Maria, formada em Jornalismo, começou a trabalhar como fotógrafa aos 18 anos e passou por diversos jornais diários do sul do Brasil antes de chegar ao Rio de Janeiro. Desde 1991 integra a equipe do jornal O Globo, onde participou de coberturas históricas como a Eco-92, a chacina de Vigário Geral, os desastres de Mariana e Brumadinho, além de registrar o cotidiano do Rio com olhar sensível e crítico. Ao longo de sua trajetória, acumulou reconhecimentos nacionais e internacionais, como o Prêmio Petrobras de Fotojornalismo (2017), pela série sobre Mariana, e o Prêmio Rey de España (2016), com uma foto da série Os Miseráveis, que retratou o avanço da pobreza no estado. Seu trabalho já foi exibido em coletivas no Museu do Catete, Museu do Amanhã, Centro Cultural da Justiça Federal e Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Também realizou exposições individuais marcantes, como Quando o Ofício Encontra a Arte (2006) e Sonata (2012). Nesta entrevista exclusiva ao Portal ACONTECEU MARICÁ, concedida ao fotojornalista Anselmo Mourão, ela revisita suas origens, fala sobre os desafios da profissão e reflete sobre o papel da fotografia na sociedade contemporânea. Infância entre tábuas, câmeras e curiosidade Anselmo Mourão: Márcia, para começarmos, conte um pouco onde nasceu e como foi sua infância.Márcia Foletto: Nasci em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, numa família italiana com nove irmãos. Minha infância foi muito livre. Brincava entre tábuas e tocos de madeira na fábrica de esquadrias do meu pai. Era bem moleca — andava de perna de pau, jogava futebol com os amigos… aquela bagunça boa de criança. O primeiro clique e a certeza de um caminho Anselmo: Como surgiu seu interesse pela fotografia?Márcia: Uma das minhas irmãs mais velhas é artista plástica e tinha uma câmera Pratika. Quando entrei na faculdade de Comunicação Social, ela me emprestou a câmera. Foi amor instantâneo. Na turma de jornalismo eu já era “a fotógrafa”. No último ano da faculdade, já trabalhava como fotojornalista. São quase 40 anos nessa profissão. A estreia na profissão Anselmo: Você lembra da sua primeira experiência profissional?Márcia: Comecei no jornal A Razão, em Santa Maria. Éramos apenas dois fotógrafos, então eu fazia de tudo — coluna social, futebol — e ainda revelava e ampliava as fotos. Foi uma grande escola. Depois trabalhei em O Pioneiro, em Caxias do Sul, e no Diário Catarinense, em Florianópolis. Lá, com chromos e negativos coloridos, aprendi a ler a exposição quase de memória. A porta que se abriu para o jornal O Globo Anselmo: Como surgiu a oportunidade de trabalhar no O Globo?Márcia: Depois de dois anos em Florianópolis, queria dar mais um passo. Meu sonho era ser fotógrafa de guerra. Montei um portfólio e fui ao Rio visitar os jornais da época. Gostaram do meu trabalho, mas só o Globo me pediu um teste. O editor Sérgio Zalles solicitou um ensaio no Arpoador — nunca esqueço disso. Depois fui chamada para os Jornais de Bairro e, logo depois, para a equipe principal. Estou lá desde 1991. Coberturas que marcaram uma carreira Anselmo: Quais trabalhos mais te marcaram?Márcia: Muitos. Ainda jovem, fotografei as chacinas de Vigário Geral e da Candelária. Cobri eleições presidenciais por mais de 30 anos. Estive em Mariana e Brumadinho. Mas a violência urbana no Rio e suas vítimas é o que mais marca meu trabalho. Um projeto especial: “Mutilados” Anselmo: Existe uma série de imagens especial para você?Márcia: O projeto Mutilados, de 2023. Tive tempo para acompanhar personagens, algo raro no jornalismo diário. O trabalho teve grande repercussão: recebi meu primeiro Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos e fui finalista do Prêmio Gabriel García Márquez. Criar é observar — antes de fotografar Anselmo: Como funciona seu processo criativo?Márcia: Meu primeiro editor no O Globo, Aníbal Philot, dizia que o fotógrafo deve “sobrevoar a cena como um pássaro”. Antes de clicar, observo: luzes, cores, personagens. Só então pego a câmera. E, acima de tudo, escuto as pessoas. Fotografia exige construção de confiança. Do filme ao digital: uma testemunha das transformações Anselmo: Como você enxerga a fotografia digital?Márcia: Passei por tudo: preto e branco, cromos, negativo e digital. Hoje é melhor — mais possibilidades e menos custo. Mas o excesso de imagens é um problema sério. Por isso, penso como no tempo dos filmes de 36 poses: fotografar só quando necessário. O que diferencia uma grande foto jornalística? Anselmo: O que faz uma foto se destacar no meio de tantas imagens?Márcia: Hoje todos têm um celular e fotografam o tempo todo. Mas o profissional precisa ir além: construir uma imagem com camadas, que sensibilize, gere empatia e provoque reflexão. Desafios atuais nas redações e nas ruas Anselmo: Quais os principais desafios da profissão hoje?Márcia: Falta investimento no jornalismo. Redações menores, pouco tempo, baixa remuneração para equipamentos. Nas ruas, disputamos espaço com centenas de celulares. Perdemos um pouco a relevância de testemunhas únicas. Sonhos por realizar Anselmo: Há alguma cobertura que você ainda sonha em fazer?Márcia: Meu sonho sempre foi ter mais tempo para me dedicar a um grande projeto — algo difícil no ritmo do jornalismo diário. Projetos atuais: clima, futuro e… fuscas Anselmo: Quais são os seus projetos no momento?Márcia: Além do trabalho diário, desenvolvo projetos sobre mudanças climáticas, um tema urgente. E, no lazer, mantenho o Fusquei, meu perfil no Instagram onde registro fuscas pelo Brasil. Fotografia como memória e transformação Anselmo: Como você enxerga o papel da fotografia na sociedade?Márcia: A fotografia congela instantes, prova a existência das coisas. Ela ajuda a entender o passado, ilumina o presente e pode transformar realidades, revelando injustiças e provocando reflexão. Conselhos para novos fotojornalistas Anselmo: Que mensagem deixaria para quem está começando?Márcia: Leiam e ouçam. Literatura e história ampliam o olhar. E ouvir quem você fotografa cria conexão verdadeira — muito além do visor. “Ainda tenho muito a aprender” Anselmo: Para finalizar, o que a fotografia

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Maricá celebra o Dia Internacional do Hip-Hop com arte, ritmo e expressão nas ruas de Araçatiba

Foto: Clarildo Menezes Evento gratuito na pista de skate Chorão reuniu música, dança, poesia, grafite e skate em homenagem à cultura urbana e à juventude maricaense A energia da cultura urbana tomou conta de Araçatiba nesta terça-feira (12/11), quando a Prefeitura de Maricá, por meio da Secretaria de Juventude e Participação Popular, promoveu uma grande celebração pelo Dia Internacional do Hip-Hop. O evento aconteceu na recém-inaugurada pista de skate Chorão, reunindo artistas, coletivos culturais e moradores em uma tarde de arte, resistência e expressão. Com uma programação diversificada e gratuita, o encontro teve como propósito valorizar o hip-hop como movimento social e ferramenta de transformação, aproximando diferentes gerações e estilos em um mesmo espaço. O público acompanhou batalhas de rima, discotecagem com DJs, grafites ao vivo, oficinas culturais, sarau de poesia e manobras de skate, compondo um mosaico vibrante da cultura de rua. Para a secretária de Juventude e Participação Popular, Andressa Santos, o evento reforça o papel das políticas públicas na promoção da criatividade e do pertencimento. “O movimento de rua e o hip-hop são verdadeiras escolas da vida. São espaços que incentivam o talento e fortalecem a identidade da juventude. Transformar arte em oportunidade também é um ato político”, destacou. Entre os grupos presentes, o coletivo Ruasia marcou presença com intervenções artísticas e performances. O presidente do grupo, Adonis Apolo, ressaltou o valor simbólico do encontro. “O hip-hop é uma forma de resistência e um instrumento de transformação social. Em momentos como este, reafirmamos nossos princípios e fortalecemos os valores da cultura urbana”, afirmou. Vinda de Petrópolis especialmente para a celebração, a DJ Ingrid Neves enfatizou a importância do intercâmbio entre cidades e movimentos. “É essencial ver a juventude ocupando os espaços públicos e fortalecendo a cultura preta e periférica. Maricá está mostrando que a arte de rua também é política e união”, disse. Celebrado mundialmente em 12 de novembro, o Dia Internacional do Hip-Hop faz referência à criação da Universal Zulu Nation, fundada em 1973 por Afrika Bambaataa, no Bronx, em Nova York. Desde então, o hip-hop se consolidou como uma manifestação cultural completa, reunindo música, dança, poesia e grafite — elementos que expressam a voz e a resistência das comunidades marginalizadas em todo o mundo. Com a realização deste evento, Maricá reafirma seu compromisso com a juventude, a diversidade e o fortalecimento da cultura de rua, transformando a cidade em um palco aberto para o talento e a inclusão social. Fotos: Clarildo Menezes

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Festival Somos Latinos em Maricá reúne 20 países em celebração à cultura latino-americana

Imagem RC FM/Internet Evento gratuito leva música, literatura, cinema e gastronomia à Arena da Barra, de 27 a 30 de novembro, com shows de Mart’nália, Braza e Miss Bolivia Maricá se prepara para receber um dos maiores eventos culturais do estado do Rio de Janeiro. De 27 a 30 de novembro de 2025, a cidade será palco do Festival Somos Latinos, uma celebração multicultural que vai reunir 20 países da América Latina com mais de 200 artistas se apresentando na Arena da Barra e em outros pontos do município. Promovido pela Prefeitura de Maricá, por meio da Maricá Arte, Roteiros e Experiências (Maré), o festival tem entrada gratuita e promete uma imersão na riqueza cultural do continente, com música, cinema, literatura, gastronomia e artesanato. 🎤 Atrações musicais confirmadas no Festival Somos Latinos A programação musical do Festival Somos Latinos em Maricá destaca nomes de peso da cena brasileira e internacional. Na sexta-feira (28/11), a cantora argentina Miss Bolivia abre os shows principais às 19h, com um repertório que mistura cumbia, reggae, hip hop e dance, e letras de forte engajamento social. O sábado (29/11) será marcado pela energia contagiante de Mart’nália, que sobe ao palco às 22h, logo após a transmissão da final da Libertadores, às 18h. Encerrando a festa, o grupo Braza se apresenta no domingo (30/11), às 19h, levando sua mistura de rock, reggae e música brasileira ao público maricaense. Além das atrações nacionais e estrangeiras, o evento também valoriza os artistas locais, os chamados “Pratas da Casa”, reforçando o compromisso do festival com a cultura produzida em Maricá. 📚 Literatura e identidade latino-americana O Concurso Literário “Somos Latinos” é uma das ações culturais que integram o evento. A iniciativa convida escritores e escritoras do Estado do Rio de Janeiro a refletirem sobre o pertencimento e a identidade latino-americana por meio das categorias conto e crônica. As inscrições abrem no dia 12 de novembro pelo site oficial do festival, e o vencedor ganhará uma viagem cultural para a Colômbia, fortalecendo o intercâmbio artístico entre os países participantes. De acordo com Antônio Grassi, presidente da Maré, o festival é uma oportunidade de ampliar o diálogo cultural entre os povos e de projetar Maricá no cenário internacional. “Queremos colocar Maricá no mapa da América Latina. Esse intercâmbio aproxima culturas, atrai turistas e fortalece a cidade como polo cultural e criativo. Além disso, o público local tem a chance de vivenciar novas experiências culturais”, destacou Grassi. O Festival Somos Latinos também reflete a política de desenvolvimento social da cidade, que aposta na economia solidária, no transporte público gratuito e em ações de sustentabilidade. Os visitantes poderão conhecer a culinária típica, o artesanato e as tradições de países como Argentina, Chile, Colômbia, México, Uruguai, Venezuela, Cuba, Peru e muitos outros, em uma verdadeira viagem pelos sabores e sons da América Latina. 📅 Serviço – Festival Somos Latinos 2025 Data: 27 a 30 de novembro de 2025Local: Arena da Barra de Maricá (com ações culturais em diversos pontos da cidade)Entrada: Gratuita Shows principais: Site oficial: www.somoslatinos.com.brInstagram: @festivalsomoslatinos O evento é uma realização da Prefeitura de Maricá, em parceria com a MARÉ e a Codemar, com produção da Br4 Branding, curadoria musical do Mucho! Festival e apoio da InterTV RJ.

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Maricá recebe fim de semana cultural com grafite, rima e corrida para todas as idades

Projeto “Enel De Braços Abertos” leva oficinas, atividades esportivas e serviços gratuitos à Praça do Bambuí A cidade de Maricá será palco, hoje sábado e amanhã domingo a (8 e 9 de novembro), onde está acontecendo um evento gratuito, que promete unir arte, esporte e cidadania. O projeto Enel De Braços Abertos, promovido pela X3m, chega à Praça do Bambuí com uma programação diversificada, repleta de atrações para todas as idades. Entre as atividades estão oficina de grafite, roda de rima, aulas de capacitação em eventos e corridas de rua para crianças e adultos. A proposta é ocupar o espaço público com cultura e lazer, incentivando o convívio comunitário e o bem-estar da população. Enel oferece serviços e experiências educativas Patrocinadora da iniciativa, a Enel Distribuição Rio também participa com uma série de serviços voltados aos moradores, como parcelamento de débitos, esclarecimento sobre consumo e ligação, troca de titularidade e adesão à fatura digital. Além disso, o público poderá visitar a Van Experience, um espaço interativo com recursos de realidade aumentada, troca de lâmpadas convencionais por modelos de LED e atividades educativas sobre uso seguro e consciente da energia elétrica. Corrida com prêmios e incentivo à prática esportiva Um dos destaques da programação é a corrida de rua, que contará com percursos adaptados para diferentes idades: até 400 metros para crianças de 1 a 14 anos e 5 quilômetros para adultos. Os três primeiros colocados das categorias masculina e feminina receberão vales-presente da Centauro, nos valores de R$ 700, R$ 500 e R$ 300, válidos para moradores do Bambuí. As inscrições já foram encerradas, mas a torcida e o clima esportivo prometem animar o público. Incentivo à cultura e ao esporte no estado O projeto conta com apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Lei de Incentivo ao ICMS, e faz parte de um amplo investimento da Enel em cultura e esporte. Somente no último ano, a empresa destinou mais de R$ 94 milhões a 87 projetos que beneficiaram cerca de 650 mil pessoas em todo o estado. Com presença em 66 municípios, a Enel cobre 73% do território fluminense, atendendo 3 milhões de clientes e contribuindo para o desenvolvimento social das comunidades. Programação completa Sábado (8/11) Domingo (9/11)

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Maricá reúne escritores e músicos para debater poesia em festival internacional

Foto: Clarido Menezes Arnaldo Antunes, Jorge Israel, Milton Cunha, Xico Chaves e outros importantes nomes passaram pela tenda e pelo palco montados na praça central da cidade A Prefeitura de Maricá, por meio da Secretaria de Cultura e das Utopias, deu continuidade ao Festival Rio de Versos, nesta sexta-feira (31/10), recebendo grandes nomes da poesia, seja ela declamada, cantada, visual ou até carnavalizada: Arnaldo Antunes, Jorge Israel, Milton Cunha, Xico Chaves e outros importantes nomes passaram pela tenda e pelo palco montados na praça central da cidade. “Manoel de Barros dizia que a poesia não se descreve, se descobre. Saúdo todos que estão descobrindo e redescobrindo a poesia. Estão também descobrindo Maricá, essa cidade que acredita na poesia social e na utopia. A nossa secretaria, não à toa, é de Cultura e das Utopias. Para Darcy Ribeiro, a utopia é inventar seu país, e nós temos esse desafio de inventar Maricá”, disse o secretário da pasta e poeta Sady Bianchin. Poesia e músicaO Rio de Versos está em sua 30ª edição e, pela primeira vez, acontece fora da capital fluminense. Na mesa mais aguardada do dia, Arnaldo Antunes e Jorge Israel – que também fez o show da noite – falaram sobre poesia e música, seus encontros e desencontros. “A poesia desestabiliza os padrões rígidos da sensibilidade. Ela tira a gente da estagnação e nos nutre de surpresa. Hoje pouca gente lê poesia, mas ela continua sendo um alimento necessário num mundo brutalizado. A poesia ressensibiliza as pessoas, sobretudo em tempos de barbárie, de falta de empatia e de humanidade”, disse o poeta e cantor Arnaldo Antunes. Jorge Israel, que além da carreira solo participa do Kid Abelha, destacou a palavra como essência da canção e celebrou a confluência entre música e poesia. “A matéria-prima da música também é a palavra. Minha geração teve a sorte de crescer cercada de grandes letristas e poetas na música. Estar aqui, cercado de poesia, é voltar ao lugar onde tudo começa. A arte que emociona, que faz pensar, é a que abre caminhos. Ver Maricá colocar a poesia como centro da vida cultural é inspirador”, garantiu Jorge. Poesia é tudoA mesa de abertura, com o tema “A poética e a estética nas linguagens artísticas”, mostrou a amplitude do que é poesia e onde ela está. O carnavalesco e pesquisador Milton Cunha refletiu sobre o afastamento do estado poético na vida cotidiana e lamentou que o “mainstream” só permita a fruição da libertação pela arte e poesia em pontos específicos do ano, como o carnaval.  “A vida vai nos empurrando para longe da poesia. Boletos, horários, cansaço… Tudo vai nos arrancando dessa sensibilidade que nos torna humanos. A escala 6×1 onde no um você está tão cansado que não consegue viver a sua humanidade. E aí tem o carnaval, que é quando a pessoa pode extravasar. Viver sem poesia é negar a nossa grandeza. A poesia não pode ser algo reservado a poucos: poesia é para as famílias, para as ruas, para o cotidiano”, avaliou Milton Cunha. O secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, reforçou a poesia como base civilizatória e como direito social. “A poesia é a primeira das artes. Sem ela, não haveria escrita, não haveria memória, não haveria sequer a matemática ou a engenharia. Ela nasce antes do papel, nasce da oralidade e da necessidade da transmissão de saberes. A política cultural é um instrumento de humanidade que, mesmo se não gerasse emprego e renda, já seria essencial, porque garante o direito de existir como humanos”, disse Márcio Tavares. Poesia visualA artista Regina Vater levou para a mesa a sua própria experiência com seu percurso pioneiro na arte e na poesia visual, destacando sua crítica à cultura do consumo. “Eu vivi o estranhamento de ser mulher artista. Sou de uma época que a família não gostava disso e eu tive que me esquivar pelas bordas para seguir o meu caminho. Um caminho que me levou a experimentar a poesia e a partir dela a arte visual. Juntar a palavra à arte e, depois, ao audiovisual. Ferramenta que usei para questionar o lixo e a substituição dessa fruição, da nossa humanidade, pelo consumo”, disse Regina. Pioneiro na videoarte e na poesia em imagens, Bill Lundbergh mostrou trechos de suas obras e outras que considera verdadeiras poesias em vídeo. O artista estadunidense se mudou para Itaipuaçu há mais de 10 anos.O poeta Xico Chaves celebrou o protagonismo cultural de Maricá e o fim das fronteiras rígidas entre gêneros artísticos. “Eu vejo uma cidade se tornar o centro do poema, não só da poesia, mas do poema como gesto vivo, que pode ser feito com palavra, com pedra, com carnaval, com vídeo, com o corpo, com o silêncio”, resumiu Xico. Poesia e homenagemEm momento simbólico, o secretário Sady Bianchin convidou Márcio Tavares (Ministério da Cultura) para entregar a Medalha Darcy Ribeiro à presidente da Petrobras, Magda Chambriard. A executiva foi representada pela gerente setorial de Relacionamento Institucional da Petrobras, Caroline Vollu. Uma homenagem em reconhecimento ao apoio ao festival e à retomada dos investimentos culturais da empresa. “A poesia tem um poder transformador. Ela nos conecta com nossas raízes, com nossa identidade e nos inspira a construir um futuro mais justo, diverso e inclusivo. É uma linguagem que fala diretamente ao coração e à alma das pessoas, capaz de unir diferentes culturas e gerações. Petrobras, temos orgulho de apoiar a cultura brasileira, pois entendemos que o desenvolvimento do país deve caminhar lado a lado com o fortalecimento de sua identidade cultural”, disse Caroline Vollu. Poesia é comidaO Rio de Versos tem apoio da Alimentos Maricá (Amar). O presidente da empresa, Marlos Costa, prestigiou o evento nesta sexta-feira. “Este é o primeiro apoio institucional que a Amar faz. Esta é uma das mais novas empresas da cidade, focada em alimentação saudável. Poesia é também alimento, mas para a alma, para a mente. Então é muito significativa a nossa presença aqui”, ressaltou Marlos. Realizado com patrocínio da Petrobras e apoio do Governo Federal, o

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Academia de Ciências e Letras de Maricá: 50 anos tecendo a história cultural e política da cidade

Texto: Fernando Uchôa Em um percurso de meio século, a Academia de Ciências e Letras de Maricá (ACLM) consolidou-se como uma das instituições mais respeitadas e atuantes na vida pública do município. Sua história, no entanto, é marcada pela resiliência e por uma busca constante pelo reconhecimento que sua missão merece. Uma caminhada que pode ser medida pelas idas e vindas às diversas secretarias municipais, sempre com um objetivo claro: garantir à Academia o lugar de notoriedade que lhe é de direito como guardiã da memória e propulsora da cultura local. Desde a sua fundação, há cinquenta anos, a ACLM não se limitou a ser um clube de literatos. Ela nasceu inserida no contexto da construção política de Maricá, oferecendo um espaço de reflexão, crítica e produção intelectual que dialogava diretamente com os rumos da cidade. Seus membros, nomes de destaque em diversas áreas, sempre estiveram na vanguarda dos debates que moldaram o caráter socioeconômico e cultural do município. A persistência em buscar o diálogo com diferentes gestões e secretarias – seja de Cultura, Educação ou Governo – nunca foi um fim em si mesma, mas um meio necessário para amplificar sua voz. Era a luta para que a produção acadêmica, científica e literária de seus integrantes e demais escritores não ficasse restrita a um círculo fechado, mas se transformasse em patrimônio público, acessível a todos os maricaenses. Hoje, ao celebrar seu Jubileu de Ouro, a Academia colhe os frutos dessa trajetória obstinada. Mais do que nunca, ela se mantém como um farol no cenário cultural, gerando conteúdo de qualidade e fomentando espaços de debate que são essenciais para uma sociedade dinâmica e crítica. Eventos, publicações e encontros são meras comemorações do passado, mas são, acima de tudo, ferramentas vivas para a construção do presente e do futuro. Nestes 50 anos, a ACLM prova que a verdadeira notoriedade não se concede; conquista-se. Conquista-se com a solidez de meio século de trabalho, com a participação na história política e, sobretudo, com a geração incessante de um capital cultural que enriquece a todos. A Academia de Ciências e Letras de Maricá segue, portanto, não apenas como uma testemunha da história, mas como uma ativa construtora da Maricá que somos e da que almejamos ser. Diretoria ExecutivaAcademia de Ciências e Letras de Maricá50 anos a serviço da cultura e do intelecto de Maricá.

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Maricá celebra o legado de Darcy Ribeiro com mostra cultural no Cine Henfil

Foto: Evelyn Gouvêa Evento reúne debates, exibições e lançamento de livro em homenagem ao pensador e antropólogo brasileiro A cidade de Maricá se prepara para celebrar a vida e o pensamento de um dos maiores intelectuais do Brasil. A Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura e das Utopias, realiza nesta sexta-feira (24) e no domingo (26) a mostra cultural “Darcy, Intérprete das Utopias”, em tributo ao antropólogo, educador e político Darcy Ribeiro, que completaria 103 anos neste domingo (26/10). A programação será no Cine Henfil, a partir das 17h, e promete uma imersão no universo de ideias e ideais que marcaram a trajetória do pensador. O público poderá acompanhar ciclos de debates, exibição de vídeos, rodas de conversa e o lançamento do livro “Darcy Ribeiro: um coração indígena”, de autoria da professora Rita Rosa. Reflexões sobre educação e utopia Na sexta-feira (24), o destaque será o vídeo “Darcy Ribeiro e a Defesa da Educação Integral”, no qual o professor Márcio Farias (USP) analisa a proposta educacional defendida por Darcy — base que inspirou a criação dos Centros Integrados de Educação Pública Transformadora (CEPT) em Maricá. O debate do dia, mediado por Sady Bianchin, secretário de Cultura e das Utopias, abordará o tema “Darcy & Educação” e contará com a participação dos professores Francisco Teixeira e Anibal Júnior, além de Gabriela Lopes (primeira-dama do município) e da própria Rita Rosa. Política, antropologia e o olhar sobre o Brasil No domingo (26), as atenções se voltam para o pensamento político e antropológico de Darcy Ribeiro. O painel “Darcy & Política e Antropologia”, mediado por Rita Rosa, reunirá nomes como Carlos Lupi (presidente nacional do PDT e ex-ministro do Trabalho), Julio Carolino (vereador), Dr. Carolino Santos (presidente do diretório municipal do PDT) e Diego Zeidan (presidente estadual do Partido dos Trabalhadores). A programação inclui ainda a exibição de trechos do documentário “Darcy Ribeiro – Guerreiro Sonhador”, que revisita momentos marcantes da vida e da obra do intelectual, reconhecido por sua defesa incansável da educação pública, da cultura e dos povos originários. Serviço Mostra Cultural: Darcy, Intérprete das UtopiasDias: 24 e 26 de outubroLocal: Cine Henfil – Rua Alferes Gomes, 390, Centro, MaricáHorário: 17h

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Rio de Versos – Festival Internacional de Poesia” tem lançamento oficial na Academia Brasileira de Letras nesta terça (21/10)

Foto: Rodrigo Sombra Jorge Mautner será o grande homenageado da noite e receberá a Medalha Darcy Ribeiro; evento celebra 30 anos de trajetória e exalta a poesia em suas múltiplas formas O “Rio de Versos – Festival Internacional de Poesia – Jornada Comemorativa 30ª Edição – Maricá 2025” será lançado oficialmente nesta terça-feira (21/10), a partir das 17h30, na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro. A cerimônia, marcada para o Teatro Raimundo Magalhães Jr., reunirá grandes nomes da literatura e das artes, celebrando três décadas de história do evento. Durante a solenidade, o cantor, compositor, instrumentista e escritor Jorge Mautner será o homenageado especial da noite, recebendo a Medalha Darcy Ribeiro por sua contribuição à cultura brasileira. Após a entrega da honraria, os convidados serão recebidos em um coquetel de confraternização. O festival é uma realização do Governo Federal e do Ministério da Cultura, com patrocínio da Petrobras. A mesa de abertura contará com o diretor-geral Sady Bianchin, responsável pelo festival desde sua criação, e os acadêmicos Antonio Torres e Antonio Carlos Secchin. O evento antecipa a grande programação que ocorrerá em Maricá, entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro, com atividades abertas ao público em diferentes palcos da cidade. Três décadas de poesia e diversidade cultural Idealizado por Sady Bianchin — poeta com mais de 40 anos de trajetória, doutor em Teatro e Sociedade pela Università di Roma – La Sapienza e atual secretário de Cultura e das Utopias de Maricá —, o projeto chega à sua 30ª edição reafirmando o compromisso com a democratização e a internacionalização da poesia. O evento, que tem o apoio da Prefeitura de Maricá, destaca a poesia em suas múltiplas linguagens — escrita, falada, visual, musicada e cinematográfica. O festival reunirá poetas de 20 estados brasileiros e representantes de mais de 40 países, sendo 13 deles presentes em Maricá. A mostra de Poesia Visual contará com a participação de 30 artistas de 15 países, reforçando o caráter global e plural da iniciativa. Estão confirmados nomes de Portugal, França, Moçambique, Argentina, Cuba, Chile, Estados Unidos, Uruguai, Colômbia e México, entre outros. Ações culturais e compromisso ambiental Um dos pontos altos desta edição será o plantio de 101 mudas de Pau-Brasil, em alusão aos 101 anos do Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade. O gesto simbólico une arte e sustentabilidade, reforçando o compromisso do festival com a memória, a identidade cultural e o meio ambiente. O projeto também levará poesia às escolas públicas de Maricá com a iniciativa “Poesia nas Escolas”, que realizará 60 apresentações entre os dias 27 e 29 de outubro, aproximando estudantes do universo literário. As principais atividades serão transmitidas ao vivo, ampliando o acesso do público em todo o país. As atrações principais acontecerão em três espaços no Centro de Maricá: A programação reunirá nomes consagrados como Arnaldo Antunes, Antonio Carlos Secchin, Sady Bianchin, Alberto Pucheu, Antônio Villeroy, Marcela Giannini, Kleiton & Kledir, Milton Cunha, Miriam Alves, Tanussi Cardoso, Mônica Montone, Bill Lundberg, Regina Vater, além de artistas e poetas locais. Entre os destaques estão os tributos ao Dia Nacional da Poesia, ao aniversário de Carlos Drummond de Andrade e à memória de Antônio Cícero, homenageado no encerramento do evento. A programação inclui mesas de debate, rodas de conversa, recitais, exibição de filmes e shows musicais, todos com entrada gratuita. Pré-lançamento em Maricá O pré-lançamento do festival ocorreu no último dia 16/10, no Cine Henfil, em Maricá, e contou com a presença de nomes como Mia Couto, Salgado Maranhão, Sady Bianchin e Marcela Giannini. A noite foi marcada pela emocionante apresentação do Coral Guarani Maino’î, que trouxe cantos em tupi-guarani, unindo espiritualidade e poesia. 27 a 29/10 – Poesia nas Escolas📍 Rede pública de ensino de Maricá 30/10 a 02/11 – Programação principal (Maricá)📍 Praça Orlando de Barros Pimentel e Cine Henfil (Segue a programação detalhada, com horários e atrações, conforme o cronograma oficial do festival.) Cultura financiada por incentivo público O “Rio de Versos – Festival Internacional de Poesia” é viabilizado pela Lei Rouanet (Lei nº 8.313/1991), principal mecanismo de incentivo à cultura no Brasil. A legislação permite que pessoas físicas e empresas destinem parte do Imposto de Renda a projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura, sem que isso implique em responsabilidade sobre a gestão dos recursos. O patrocínio da Petrobras reforça o compromisso da empresa com a difusão artística e a valorização da poesia em território nacional.

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Coral Guarani Maino’î emociona o público na abertura do Festival Rio de Versos em Maricá

Foto: Elsson Campos Apresentação destacou a força espiritual e poética das culturas originárias no pré-lançamento do evento internacional de poesia A noite de abertura do pré-lançamento do “Rio de Versos – Festival Internacional de Poesia”, realizada no Cine Henfil, em Maricá, nesta quarta-feira (16/10), foi marcada por um momento de intensa emoção. O Coral Guarani Maino’î, da Aldeia Mata Verde Bonita, localizada em Inoã, encantou o público com cantos em tupi-guarani, que ecoaram pelo espaço e tocaram profundamente os presentes. O evento é uma realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da Petrobras e apoio da Prefeitura de Maricá, através da Secretaria de Cultura e das Utopias. Durante a apresentação, o coral demonstrou a força espiritual e poética dos povos originários, em um encontro que uniu arte, ancestralidade e resistência. A diretora-geral da Escola Municipal Indígena Guarani Para Poty Nhe’ê Ja, Martinha Mendonça Guajajara, destacou a simbologia do grupo. “O nome do coral, Maino’î, significa beija-flor — símbolo de sabedoria e ligação com o sagrado. Nossos cantos são poesias e orações. Estar aqui é afirmar a importância das palavras originárias neste festival de cultura e poesia. Foi um momento muito forte, de beleza e verdade. A força dos cantos indígenas tocou todos os corações. Não é apenas uma apresentação, é uma mensagem profunda”, afirmou Martinha. O professor Miguel Verá Mirim, também integrante e responsável pelo coral, ressaltou o papel do evento na valorização da cultura indígena e agradeceu o espaço oferecido. “Estamos aqui para mostrar um pouco da nossa cultura e do nosso canto. Isso é muito importante, porque aprendemos desde cedo com os mais velhos, na casa de reza e também na escola. Ensinamos as crianças para que nossa língua e nossos cantos não se percam. Cantar na nossa língua é um ato de resistência e alegria. Quando cantamos, fortalecemos nossa identidade e deixamos a tristeza de lado, mesmo diante das dificuldades que enfrentamos no Brasil. Estamos muito felizes de estar aqui”, comemorou. Ao dar voz e espaço às culturas originárias, o Festival Rio de Versos reforça seu compromisso com a diversidade cultural, celebrando a poesia que nasce da terra, da memória e da ancestralidade. O projeto é viabilizado pela Lei Rouanet (Lei nº 8.313/1991), mecanismo de incentivo fiscal que permite a empresas e pessoas físicas destinarem parte do Imposto de Renda a iniciativas culturais aprovadas pelo Ministério da Cultura, fortalecendo ações que promovem a arte e a identidade brasileira. Foto: Elsson Campos

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