Educadores classificados para Docente I e II aguardam nova chamada prometida para esta quarta-feira (26/06)
A promessa de uma nova convocação para o concurso público da educação de Maricá trouxe alívio e ansiedade em doses iguais para centenas de professores aprovados que aguardam há meses pela oportunidade de ingressar na rede municipal. Entre eles, histórias de perseverança, dificuldades financeiras e a esperança de contribuir para a transformação educacional de um dos municípios que mais cresce no estado.
“Venho me preparando há três anos”
Carla Mendes, 34 anos, formada em Pedagogia pela UERJ, é uma das aprovadas para o cargo de Docente I que acompanha diariamente as redes sociais da Secretaria de Educação municipal. “Cada dia é uma esperança renovada. Acordo e a primeira coisa que faço é verificar se saiu a lista”, conta.
Mãe de dois filhos, Carla trabalha atualmente como professora substituta em uma escola estadual de Niterói. “A instabilidade é terrível. Nunca sei se vou ter trabalho no próximo mês. O concurso de Maricá representa segurança para minha família”, desabafa.
A pedagoga conta que se preparou durante três anos para o concurso, investindo em cursos preparatórios e materiais de estudo. “Foram cerca de R$ 8 mil investidos. Minha família toda se mobilizou para me ajudar. Agora só falta a convocação”, relata emocionada.
Entre a esperança e a necessidade
Professor de História há 15 anos, Marcos Silva, 42, vê no concurso de Maricá a oportunidade de estabilidade que nunca teve. Aprovado para Docente II, ele atualmente divide seu tempo entre três escolas particulares da região.
“Trabalho 60 horas semanais em três instituições diferentes. É desgastante fisicamente e emocionalmente. Sonho em poder me dedicar integralmente a uma única escola, conhecer realmente meus alunos”, explica Marcos.
O professor destaca que a remuneração oferecida pelo município é um dos grandes atrativos. “O salário inicial de um Docente II em Maricá é superior ao que ganho somando os três empregos. Sem contar os benefícios e a estabilidade”, compara.
O lado invisível da espera
Juliana Santos, 29, formada em Letras, representa o grupo de professores que mudaram toda a estrutura de vida na expectativa da convocação. Ela se mudou de Campos dos Goytacazes para Maricá logo após ser aprovada no concurso, em 2023.
“Vim morar aqui acreditando que seria convocada rapidamente. Aluguei um apartamento, me adaptei à cidade. Enquanto isso, trabalho com aulas particulares para me manter”, conta Juliana.
A professora admite que a ansiedade tem afetado sua saúde mental. “Tem dias que acordo com taquicardia. A incerteza é muito difícil de lidar. Ao mesmo tempo, não posso desistir agora”, desabafa.
Burnout e a necessidade urgente de reforços
A situação dos professores que já estão na rede municipal também influencia a ansiedade dos aprovados. Relatos de sobrecarga e casos de burnout entre os educadores em exercício são frequentes.
“Converso com professores que já estão na rede e eles falam sobre salas superlotadas, falta de apoio pedagógico, licenças médicas constantes. Isso me preocupa, mas também me motiva a ajudar”, revela Marcos Silva.
A professora Ana Beatriz Costa, 38, aprovada para Docente I, tem uma visão mais otimista. “Vejo os desafios como oportunidades. Maricá está crescendo muito e precisa de educadores comprometidos. Quero fazer parte dessa transformação”, afirma.
Expectativas para a nova convocação
Segundo informações da Secretaria de Educação, a nova chamada deve contemplar um número significativo de aprovados. O crescimento populacional de Maricá – que saltou de 120 mil para mais de 200 mil habitantes entre 2010 e 2022 – demanda expansão constante da rede educacional.
“Esperamos que seja uma convocação robusta. O município está abrindo novas escolas e precisa de professores qualificados”, comenta Roberto Alves, 45, aprovado para Docente II na área de Matemática.
Roberto, que já trabalha na rede municipal de São Gonçalo, vê em Maricá melhores condições de trabalho. “As escolas de Maricá têm infraestrutura moderna, tecnologia disponível. É o ambiente que todo professor sonha para trabalhar”, elogia.
Impacto na educação municipal
Especialistas em educação apontam que a demora nas convocações pode prejudicar a qualidade do ensino municipal. “Professores sobrecarregados não conseguem dar o melhor de si. A chegada de novos educadores é fundamental”, avalia a pedagoga Dra. Maria Fernanda Lima, da UFF.
O crescimento populacional acelerado de Maricá criou um descompasso entre demanda e oferta de vagas na educação. “É um problema que precisa ser resolvido rapidamente, antes que comprometa uma geração de estudantes”, alerta a especialista.
Uma questão de dignidade profissional
Para além da questão financeira, os professores entrevistados destacam a valorização profissional como fator motivador. “Maricá é conhecida por valorizar seus servidores. Isso faz toda a diferença na autoestima do educador”, pondera Carla Mendes.
A perspectiva de trabalhar em uma rede que investe em educação integral, com jornada ampliada e projetos pedagógicos inovadores, também atrai os aprovados. “Quero trabalhar em uma escola que não seja apenas depósito de crianças, mas um espaço de verdadeira formação”, deseja Juliana Santos.
A contagem regressiva
Com a confirmação da nova convocação para esta quarta-feira, os professores aprovados vivem um misto de ansiedade e esperança. Grupos de WhatsApp com centenas de aprovados movimentam-se com especulações sobre quantos serão chamados.
“Independente de eu ser convocada agora ou na próxima, sei que minha hora vai chegar. A educação de Maricá precisa de todos nós”, conclui Ana Beatriz Costa, resumindo o sentimento de centenas de educadores que aguardam a oportunidade de transformar vidas através da educação.
A nova lista de convocados será publicada no Jornal Oficial de Maricá desta quarta-feira (26/06), a partir das 19h. Os aprovados podem acompanhar também pelas redes sociais oficiais da Secretaria de Educação.

