Fé, tradição e emoção: a Festa de São Jorge reúne milhares de devotos no Espraidado em Maricá

Foto: Clarildo Menezes Celebração no Espraiado teve cavalgada, alvorada, missas e shows em dois dias de homenagens ao Santo Guerreiro Entre os dias 22 e 23 de abril, o bairro Espraiado, em Maricá, foi tomado por uma atmosfera de fé, alegria e tradição com a realização da tão aguardada Festa de São Jorge. O evento, promovido pela Prefeitura de Maricá por meio da Secretaria de Promoção de Eventos e com apoio da Secretaria de Assuntos Religiosos, atraiu milhares de pessoas em uma programação que celebrou o Santo Guerreiro com intensidade e devoção. Logo nas primeiras horas do dia 23, antes mesmo do sol nascer, os primeiros sons da tradicional Alvorada ecoaram pela região. O clima era de emoção e expectativa. Um café da manhã acolhedor foi oferecido aos visitantes, preparando o coração dos fiéis para o ponto alto da manhã: a missa em homenagem a São Jorge. Em meio às orações, agradecimentos e cantos, a energia da fé uniu moradores e visitantes em um mesmo propósito: celebrar aquele que é símbolo de força e proteção para tantos devotos. Cavalgada emocionante e procissão marcaram o evento Um dos momentos mais aguardados da festa foi, sem dúvida, a cavalgada. A partir das 14h, cavaleiros de diferentes grupos começaram a se reunir na entrada do Espraiado. Com roupas típicas e seus cavalos adornados, eles partiram em direção à Capela de São Jorge, onde a multidão os aguardava com aplausos e emoção. A chegada dos cavaleiros marcou o início da procissão em homenagem ao santo. Márcia Soares, representante do grupo “Antiga de Ponta Negra”, falou sobre a importância de participar desse momento:“Esse é um evento que emociona a gente de várias formas. Todo ano eu faço questão de estar presente. Só hoje, nosso grupo veio com 25 cavaleiros”, contou ela, orgulhosa. Josias da Conceição, da “Comitiva do Bananal”, também compartilhou sua alegria:“Estar aqui com os amigos, montado no cavalo, fazendo o que a gente ama… é uma felicidade que não tem explicação!” Fé que transforma Além da tradicional cavalgada, a Capela de São Jorge foi um ponto de encontro para histórias de fé e superação. O professor de Educação Física João Pedro Americano, de 30 anos, fez questão de comparecer ao local acompanhado da esposa e do filho. Emocionado, contou que a devoção do pai ao santo teve um papel essencial em sua vida:“Meu pai fez muitas promessas pela minha saúde. Hoje sou um homem saudável e realizado. Vim aqui para agradecer, porque sei que São Jorge esteve comigo nesse caminho.” Festa segura e acolhedora A programação contou ainda com shows de artistas locais, barraquinhas de comida e uma estrutura preparada para receber famílias inteiras com conforto e segurança. O secretário de Promoção de Eventos, Rony Peterson, destacou o cuidado da organização com cada detalhe:“Nosso objetivo foi entregar um evento seguro, inclusivo e inesquecível para todos. É uma celebração que fala de fé, mas também de comunidade, cultura e pertencimento.” A Festa de São Jorge em Maricá foi mais do que uma homenagem a um dos santos mais queridos do Brasil. Foi um encontro de gerações, de crenças e de histórias marcadas pela fé e pela tradição. E, como todo bom evento popular, deixou no coração dos presentes a certeza de que no ano que vem tem mais. Fotos: Clarildo Menezes Fotos: Elsson Campos

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Maricá Celebra o Dia dos Povos Indígenas com Cultura, Memória e Resistência

Foto: Thamyris Mello Atividades em aldeias guarani destacam a importância da ancestralidade e promovem o diálogo entre culturas no município de Maricá Maricá viveu um dia de celebração, aprendizado e conexão com as raízes mais profundas da nossa história. Em homenagem ao Dia Municipal dos Povos Indígenas, comemorado no dia 22 de abril, a cidade promoveu uma programação cultural diversa que reuniu moradores, visitantes e representantes das comunidades guarani em momentos de troca, respeito e valorização da cultura ancestral. A iniciativa partiu da Secretaria de Direitos Humanos, que organizou uma série de atividades nas aldeias Mata Verde Bonita (em São José do Imbassaí) e Céu Azul (no Espraiado). A proposta foi clara: não apenas homenagear, mas também tornar visível a riqueza da cultura indígena ainda viva e pulsante em Maricá. Durante o dia, os visitantes puderam participar de oficinas de língua guarani, se encantar com danças típicas e apresentações de coral, se divertir com brincadeiras de arco e flecha, além de conhecer o artesanato tradicional produzido pelas aldeias. As experiências foram pensadas para sensibilizar o público e mostrar que a cultura indígena é atual, presente e essencial. Para João Carlos de Lima, conhecido como Birigu e atual secretário de Direitos Humanos, o evento vai além da celebração pontual. “Esse tipo de encontro reafirma o lugar dos povos indígenas na história de Maricá. É uma construção coletiva de respeito e consciência que precisa estar no nosso dia a dia”, afirmou. Na aldeia Céu Azul, o líder indígena Vanderlei Weraxunu conduziu uma oficina de língua guarani, destacando a importância da preservação do idioma como parte fundamental da identidade dos povos originários. “Hoje é um reflexo da nossa luta. Receber as pessoas aqui é uma forma de mostrar que seguimos firmes, com orgulho da nossa história”, disse ele. A programação atraiu pessoas de várias partes do Brasil — e até do exterior. A canadense Evelen Areias, de 27 anos, aproveitou o feriado para conhecer a aldeia. “Trabalho com comunidades indígenas no Canadá, mas estar aqui é uma experiência completamente nova. A diversidade cultural é emocionante”, contou. Em São José do Imbassaí, a aldeia Mata Verde Bonita também recebeu centenas de visitantes. Lá, além das apresentações culturais, o público participou de uma palestra emocionante da pajé Lídia Nunes, que falou sobre espiritualidade e equilíbrio. O momento, conduzido em guarani e traduzido ao português, reforçou o elo entre sabedoria ancestral e atualidade. Um dos líderes da aldeia, Tupã Nunes, destacou o valor simbólico da data: “O dia 22 de abril sempre foi visto como o ‘descobrimento’ do Brasil, mas para nós representa o início de uma longa resistência. Ter essa data como marco oficial em Maricá é um passo importante na valorização da nossa história”. A população também abraçou a causa com entusiasmo. O morador César Martins, de 42 anos, fez questão de levar a família para o evento pela segunda vez. “É uma lição de vida para os nossos filhos. Ensinar respeito, diversidade e ancestralidade é fundamental”, disse ele, emocionado. Para a professora de cinema e audiovisual Yanara Galvão, de 52 anos, a visita foi reveladora. “A experiência me tocou profundamente. Temos muito a aprender com quem estava aqui antes de nós”, comentou. Sobre o Dia Municipal dos Povos Indígenas Instituído pela Lei nº 3.196, de 12 de setembro de 2022, o Dia Municipal dos Povos Indígenas foi criado justamente para ressignificar o 22 de abril. Em vez de celebrar o chamado “descobrimento”, a data propõe uma reflexão crítica sobre o passado e o reconhecimento da presença indígena anterior à colonização. A escolha visa transformar narrativas e reforçar que os povos indígenas são protagonistas da nossa história — e não apenas personagens do passado. A celebração em Maricá é um exemplo de como o diálogo entre culturas pode construir pontes de respeito, empatia e pertencimento. Fotos: Thamyris Mello

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