Foto: Thamyris Mello
Projeto “Escritório Social em Movimento” oferece atendimentos jurídicos e sociais à população em iniciativa pioneira da Prefeitura de Maricá
A manhã de sábado foi marcada por acolhimento, escuta e acesso real à cidadania em Inoã. O bairro recebeu a primeira edição do projeto “Escritório Social em Movimento”, uma iniciativa da Prefeitura de Maricá, por meio da Secretaria da Pessoa com Deficiência e Inclusão, em parceria com a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. A proposta é simples, mas poderosa: descentralizar o acesso a serviços essenciais e garantir que os direitos cheguem onde muitas vezes não chegam.
Com o tema “Cidadania e Acessibilidade: Direito é para todos”, a ação ocupou uma área às margens da Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), oferecendo uma série de atendimentos gratuitos. Moradores puderam contar com orientações jurídicas, encaminhamento para emissão de documentos, suporte psicossocial e atendimento voltado a pessoas egressas do sistema prisional — tudo no mesmo espaço e sem burocracia.
A secretária Tatiana Castor destacou a proposta de aproximar os serviços públicos da população. “Queremos percorrer todos os bairros de Maricá. Nosso objetivo é garantir que as pessoas possam acessar seus direitos sem precisar enfrentar longos deslocamentos. Muitos saíram daqui com processos já protocolados ou com os encaminhamentos necessários para seguir com suas demandas”, explicou.
A defensora pública Natalie Bianchi Garcia reforçou a importância de iniciativas como essa para superar barreiras geográficas e sociais. “Muitas vezes os fóruns estão longe de onde as pessoas vivem. Ao trazermos esses serviços para o bairro, especialmente em um sábado, conseguimos garantir que o acesso à justiça não fique restrito a quem tem tempo ou condições de se deslocar”, pontuou.
Um dos atendimentos mais procurados foi o de curatela, um processo jurídico necessário para nomear responsáveis legais por pessoas com deficiência que não conseguem tomar decisões sozinhas. Para muitas famílias, essa é uma etapa difícil — não apenas pelo aspecto legal, mas pela sobrecarga emocional e logística.
Foi o caso da moradora do Jardim Atlântico Leste, Elisângela Oliveira. Ela esteve no local acompanhada do filho Henrique, de 18 anos, que é autista. “Já tinha tentado ir à Defensoria outras vezes, mas é complicado. Tem que chegar cedo, pegar senha, e com ele é tudo mais difícil. Quando soube dessa ação, vim correndo. Consegui dar entrada na curatela e ainda fiz a identidade dele. Fui muito bem recebida, e saio com tudo encaminhado”, contou, aliviada.
A administradora Amanda Rocha, também moradora de Inoã, vive uma realidade parecida. Mãe de um adolescente autista não verbal, ela soube da ação pelas redes sociais e aproveitou o sábado para buscar orientação. “Trabalho de segunda a sexta, então ações assim são fundamentais. Se não fosse hoje, só conseguiria resolver isso nas férias. Saio daqui com todas as minhas dúvidas esclarecidas e muito satisfeita”, afirmou.
O projeto será realizado mensalmente em diferentes regiões de Maricá, sempre com o propósito de tornar os direitos uma realidade cotidiana. Ao combinar acolhimento, escuta ativa e estrutura organizada, o “Escritório Social em Movimento” se consolida como uma ponte real entre o cidadão e o que é seu por direito: dignidade e acesso.
Fotos: Thamyris Mello




