Prefeitura de Maricá homenageia Conceição Evaristo em ato simbólico pelo renascimento do Pé de Mulungu, símbolo de resistência, ancestralidade e memória negra.

Prefeitura de Maricá homenageia Conceição Evaristo em ato de resistência e memória negra

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Cerimônia celebrou o renascimento do Pé de Mulungu e destacou a importância da ancestralidade na literatura e na vida da escritora

Na manhã desta segunda-feira (15/09), a Prefeitura de Maricá realizou um ato simbólico em homenagem à escritora Conceição Evaristo, em frente à sua residência no bairro Divinéia. A cerimônia celebrou a memória, a resistência e a ancestralidade representadas pelo Pé de Mulungu, árvore cortada ilegalmente em março deste ano, mas que desde então renasce através de uma muda no mesmo local.

O simbolismo do Pé de Mulungu

Durante o evento, foram plantadas novas sementes da espécie e entregue uma placa à autora, exaltando a importância da preservação cultural e da memória negra. Emocionada, Conceição destacou o profundo significado do gesto.
“É uma árvore que está presente em ritos sagrados africanos. O Mulungu é uma planta sedativa, usada para controlar a pressão arterial. Assim como a árvore, nós também buscamos nos reinventar. Esse símbolo representa uma estratégia de defesa e resistência”, afirmou.

Conhecida como “amansa senhor”, a planta carrega forte carga cultural e medicinal. Para a escritora, a resistência da árvore reflete a luta histórica dos povos negros, indígenas e das camadas populares diante da opressão.
“Foi uma alegria perceber a preocupação de tantos quando o Mulungu foi cortado. Isso mostra que, mesmo diante das dificuldades, o bem sempre encontra espaço para florescer. A resistência foi maior”, completou.

Da memória à literatura

O corte da árvore também inspirou a autora em sua produção literária. Conceição revelou que o episódio serve como base para seu próximo romance, intitulado “Flores de Mulungu”, que deve se somar a obras já consagradas como Ponciá Vicêncio, Becos da Memória, Canção para Ninar Menino Grande e Olhos d’Água.

Refúgio literário em Maricá

Moradora de Maricá há mais de uma década, Conceição Evaristo encontrou no bairro Divinéia um espaço de inspiração, descanso e conexão com a natureza.
“A minha experiência com Maricá é maravilhosa. Quando vi a lagoa pela primeira vez, já me imaginei morando aqui. Mais de dez anos depois, esse lugar continua sendo meu refúgio. É paz, é tranquilidade e é oportunidade de estar comigo mesma em contato com a natureza”, contou.

O ato simbólico reafirma não apenas o vínculo da escritora com o município, mas também o compromisso de Maricá em preservar a memória, a cultura e a resistência negra como parte essencial de sua identidade coletiva.

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