Foto: Fernando Silva/Secom
Entre os dias 8,9 e 10 de agosto, a cidade de Maricá será novamente palco de uma celebração profunda da cultura, espiritualidade e resistência dos povos originários com a realização da Festa da Aldeia Mata Verde Bonita. A programação intensa e plural reunirá rituais sagrados, oficinas, rodas de conversa, competições tradicionais e shows de artistas como Sandra de Sá, Gabriel o Pensador e Moleques da Pisadinha, além de nomes expressivos da cena indígena contemporânea.
Com entrada gratuita, o evento é realizado com recursos da Lei Aldir Blanc, em parceria com o Instituto Terra do Saber, e conta com o apoio de órgãos como o Ministério da Cultura e a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro. A proposta é promover um espaço de reconexão com as raízes ancestrais do Brasil, dando protagonismo às vozes indígenas e visibilidade às suas expressões artísticas e espirituais.
O dia 8 de agosto, primeiro da festa, será aberto às 10h30 com uma solenidade especial que contará com a presença da secretária de Estado de Cultura, Danielle Barros, além da emocionante apresentação do Coral da Aldeia Mata Verde Bonita. O dia segue com o plantio de mudas, a Mostra de Cinema Indígena Infantil por Carlos Tupiniquim e uma feira de artesanato coordenada por Luciana Para Poty. Exposições fotográficas também ganham destaque, com registros produzidos por jovens Guarani Mbya sob orientação de Suzana Parai, e imagens do Instituto Nhandereko que documentam os impactos de um incêndio criminoso no território indígena, sob o olhar de Tupã Darci Nunes.
A culinária originária será celebrada ao meio-dia com a participação de Iracema Nunes, que apresenta pratos tradicionais como expressão viva de um legado ancestral. Durante a tarde, oficinas formativas abordam temas como o uso de ervas medicinais, pintura corporal, arco e flecha e práticas esportivas. Também haverá o torneio de futebol indígena entre aldeias, encontros de dança com grupos das aldeias Sapukai, Pataxó, Rio Pequeno e a anfitriã Mata Verde Bonita, além de apresentações da DJ Cris Pantoja, Banda Dinucci, Sandra de Sá e a cantora indígena Rozelaine Souza, encerrando o dia com espiritualidade e potência musical.
No dia 9 de agosto, as atividades começam com oficinas de canto coral, pintura corporal e arco e flecha. À tarde, o público acompanha as emocionantes competições indígenas estaduais, incluindo provas como corrida de tora, luta corporal, cabo de guerra e campeonato de arco e flecha. Um dos momentos mais simbólicos ocorre às 15h, com a vivência espiritual na Casa de Reza, conduzida pela pajé Lídia e pelo pajé Cajanã, em um espaço de troca de saberes e espiritualidade aberta ao público.
Na sequência, acontecem as finais do torneio de futebol, seguidas da roda de conversa “Vozes vivas contra o apagamento cultural”, que traz convidados para refletir sobre os desafios da preservação das identidades indígenas no Brasil contemporâneo. À noite, o público prestigia o desfile de moda indígena assinado por Iracema Nunes, além de apresentações de Kandu Puri, Lucas Kariri, e o aguardado show de Gabriel o Pensador, que promete unir música e consciência social. O grupo Moleques da Pisadinha encerra a noite com muito ritmo e energia.
A programação se encerra no dia 10 de agosto, com rituais e atividades voltadas para a espiritualidade e o fortalecimento comunitário. Logo às 9h, será realizado o rito de batismo indígena, seguido, às 10h, pela prova de natação entre aldeias. Às 11h, ocorre o tradicional ritual do rapé na Casa de Reza, conduzido pelo povo Apurinã, com 200 vagas e contribuição simbólica de R$ 250. No mesmo horário, a artista Juliana Retê promove uma oficina de artesanato com base em técnicas tradicionais. Já no início da tarde, o clima é de celebração com o show da Banda da Diversidade. Para fechar a programação, às 16h, acontecem simultaneamente o show do Batidão dos Garotos e uma nova oficina de canto coral com Gilson Karai, promovendo um encerramento vibrante, coletivo e inspirador.
A Festa da Aldeia Mata Verde Bonita é mais do que um evento cultural. É um ato político, espiritual e educativo. “A Festa da Aldeia é mais do que uma celebração — é um manifesto de vida, de luta e de pertencimento dos povos originários. É um convite para que todos se aproximem, respeitem e se conectem com a sabedoria ancestral que pulsa nesta terra”, afirmam os organizadores. Ao longo de três dias, Maricá reafirma seu compromisso com a diversidade, a valorização dos saberes tradicionais e o fortalecimento das vozes indígenas no cenário cultural brasileiro.
PROGRAMAÇÃO COMPLETA
DIA 08 DE AGOSTO (quinta-feira)
Das 10h30 às 23h
- 10h30 – Solenidade de abertura com presença da secretária de Cultura do Estado do RJ, Danielle Barros, e apresentação do Coral da Aldeia Mata Verde Bonita
- 11h – Plantio de mudas; Mostra de Cinema Indígena Infantil (Carlos Tupiniquim); Feira de Artesanato Indígena (Luciana Para Poty)
- 11h30 – Abertura da Exposição “Ensaio Fotográfico das Jovens Guarani Mbya” (Suzana Parai) e Exposição do Instituto Nhandereko (Tupã Darci Nunes)
- 12h – Culinária originária com Iracema Nunes: “Um legado ancestral como prato principal”
- 14h – Oficina de ervas medicinais: “A herança de Darwin e o legado Guarani” (Vilmar Vilharves – 20 vagas)
- 15h – Início do Torneio de Futebol Indígena (masculino e feminino); Oficinas de Pintura Corporal (Juliano Nunes – 20 vagas)
- 16h – Oficina de Arco e Flecha (Ikarai Adriano – 20 vagas)
- 18h – Encontro de Dança das Aldeias (Sapukai, Mata Verde Bonita, Pataxó e Rio Pequeno)
- 19h – DJ Cris Pantoja
- 20h15 – Show da Banda Dinucci
- 21h – Show de Sandra de Sá
- 23h – Show de Rozelaine Souza (Projeto Indistock)
DIA 09 DE AGOSTO (sexta-feira)
Das 10h às 23h
- 10h – Oficinas de Arco e Flecha (Ikarai Adriano – 20 vagas); Pintura Corporal (Juliano Nunes – 20 vagas); Ensino de Canto Coral (Gilson Karai – 20 vagas)
- 14h – Competições Indígenas Estaduais: Corrida de Tora, Campeonato de Arco e Flecha, Luta Corporal, Cabo de Guerra
- 15h – Vivência espiritual com pajé Lídia e pajé Cajanã na Casa de Reza
- 16h – Finais do Torneio de Futebol Indígena (masculino e feminino)
- 17h – Roda de Conversa: “Vozes vivas contra o apagamento cultural” (com convidados especiais)
- 18h30 – Desfile de Moda Indígena (Iracema Nunes – contemplada no edital SECEC-RJ)
- 19h (intervalos) – DJ DW
- 19h30 – Show de Kandu Puri
- 20h15 – Show de Lucas Kariri
- 21h – Show de Gabriel o Pensador
- 23h – Show dos Moleques da Pisadinha
DIA 10 DE AGOSTO (sábado)
Das 9h às 16h
- 9h – Rito de Batismo Indígena
- 10h – Prova de Natação entre Aldeias
- 11h – Ritual do Rapé na Casa de Reza (povo Apurinã – 200 vagas – R$ 250,00)
- 11h – Oficina de Artesanato (Juliana Retê)
- 13h – Show da Banda da Diversidade
- 16h – Show do Batidão dos Garotos e Oficina de Canto Coral (Gilson Karai)
A Festa da Aldeia é, acima de tudo, uma vivência transformadora, que coloca o público em contato direto com a diversidade, a espiritualidade e os valores ancestrais que sustentam a história viva dos povos indígenas no Brasil. Maricá, ao sediar essa celebração, reafirma seu papel como um território de resistência cultural e inclusão.
fotos: Reprodução Instagram Aldeia Mata Verde












