Zacarias: a vila centenária que resiste entre o mar e a lagoa

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Série fotográfica revela o cotidiano de uma comunidade tradicional ameaçada pelo avanço urbano em Maricá

No coração da restinga de Maricá, entre a vastidão da lagoa e o oceano Atlântico, vive uma comunidade que carrega séculos de histórias em suas redes e tradições. A Vila de Pescadores de Zacarias, registrada em mapas desde 1790, segue firme em sua existência, apesar dos muitos desafios que a cercam.

A nova série fotográfica “A Centenária Vila de Pescadores de Zacarias – Maricá”, da fotógrafa Ana Paula Monsores, nos convida a mergulhar nesse universo resiliente. São imagens em grande formato (40×60 cm) que capturam com sensibilidade o dia a dia dos pescadores, suas rotinas simples, porém cheias de significado, e o vínculo profundo que têm com a terra, a água e as raízes culturais herdadas de gerações anteriores.

Zacarias é muito mais do que um ponto no mapa. É um espaço de vida e memória onde cada caminho de areia entre as casas tem seu propósito — conectar os moradores à lagoa e ao mar, onde o sustento de muitas famílias é tirado diariamente. A paisagem é única, com uma biodiversidade rica e delicada, que coexiste com o modo de vida tradicional da vila.

Contudo, essa comunidade histórica vive sob constante ameaça. Há décadas, grandes empreendimentos imobiliários tentam se instalar na região, colocando em risco não apenas os lares de quem ali vive há mais de 200 anos, mas também todo o ecossistema que se equilibra ao redor da vila.

As fotografias de Ana Paula revelam, além da beleza e da identidade local, uma luta silenciosa. A resistência das famílias de Zacarias não é apenas pela permanência física, mas pela continuidade de um modo de viver em harmonia com a natureza. É uma batalha pela preservação da memória, da cultura e da vida simples, que se vê pressionada por interesses que não dialogam com sua realidade.

Mais do que um registro visual, a série é um manifesto em defesa da permanência e da dignidade dessa população. Ao observar cada imagem, somos convidados a refletir: até quando lugares como Zacarias conseguirão resistir?

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