Memórias que Transformam: Idosos de Bambuí compartilham histórias e redescobrem autoestima em oficina da Prefeitura

Notícias de Maricá

Foto: Thamyris Mello

Atividade mensal estimula escrita, memória afetiva e socialização entre frequentadores da Casa da Terceira Idade

Mesmo em meio a uma manhã chuvosa, o brilho no olhar de quem chegou cedo à Casa da Terceira Idade de Bambuí, em Maricá, era inconfundível. A expectativa era grande para mais uma edição da oficina de memórias e histórias, promovida pela Prefeitura por meio da Secretaria de Políticas para a Terceira Idade. O encontro, que acontece uma vez por mês, tem proporcionado muito mais do que exercícios de escrita – tem gerado vínculos, autoestima e uma conexão profunda com lembranças que o tempo insiste em guardar.

Durante a oficina, os idosos são convidados a explorar sentidos muitas vezes esquecidos pela rotina. Com os olhos vendados, tocam, cheiram e ouvem sons familiares – utensílios de cozinha, temperos, papéis amassados – que, de forma quase mágica, despertam memórias adormecidas. Aos poucos, os relatos tomam forma e ganham vida no papel. O objetivo é simples, mas poderoso: manter viva a chama da criatividade e do afeto através da escrita e da oralidade.

E tem dado certo. Marlúcia de Fátima Faria, de 65 anos, contou que sua participação tem sido transformadora. “Eu era muito calada, ficava na minha. Depois que comecei a frequentar a oficina, me sinto mais ativa, mais viva. Minha memória melhorou e minha autoestima também. Aqui é uma troca, a gente se escuta e se fortalece”, compartilhou, emocionada.

Já Leila Santos Cristo, de 70 anos, chegou tímida à sua primeira oficina, mas saiu decidida a voltar no mês seguinte. “Fiquei muito tempo sem sair de casa por conta da saúde. O médico me indicou atividades, e essa aqui me animou de verdade. Senti uma alegria que não sentia há tempos”, relatou.

Para a assistente social Érika Bizzo, responsável pelo acompanhamento do grupo, o impacto da atividade é perceptível. “Com o tempo, muitos idosos acreditam que não são mais capazes de realizar tarefas simples, como escrever ou contar suas próprias histórias. Mas a oficina mostra o contrário. Já observamos melhoras na concentração e até no humor dos participantes”, explicou.

Segundo a coordenadora da unidade, Mayane de Oliveira Silva, o projeto vem crescendo de forma significativa. “No início, alguns idosos apresentavam sinais de esquecimento. Com a continuidade da oficina, percebemos um fortalecimento cognitivo nítido. Hoje, temos cerca de 20 participantes fixos, e nossa programação está cada vez mais diversa”, afirmou.

A Casa da Terceira Idade de Bambuí acolhe cerca de 300 idosos com uma programação rica e variada: aulas de dança, ginástica, hidroginástica, fisioterapia, pintura, crochê, corte e costura. Cada uma das atividades tem um propósito comum — proporcionar bem-estar, promover encontros e, acima de tudo, reafirmar que nunca é tarde para recomeçar.

Ao final do ano, os melhores textos produzidos nas oficinas serão reunidos em um livro, eternizando fragmentos de vidas que agora ganham novas páginas.

Fotos: Thamyris Mello

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