Foto: Clarildo Menezes

Neste artigo do Instituto Histórico, Geográfico e Ambiental de Maricá (IHGAM) para a
coluna “História de Maricá” do Portal “Aconteceu Maricá”, falaremos a respeito de mais uma
efeméride do nosso município: o dia 15 de agosto, data em que comemoramos o dia de nossa
Padroeira, Nossa Senhora do Amparo.
No dia 8 de dezembro de 1788, foi lançada a pedra fundamental da nova sede da
Paróquia Nossa Senhora do Amparo (criada em 12 de janeiro de 1755), que até então
funcionava na atual Igreja São José do Imbassaí. O principal motivo para o início das
construções da nova igreja foram as febres palustres que estavam assolando o povoado,
causando a morte dos moradores daquela região. Pensando nisso, o Padre Vicente Ferreira
de Noronha (3º Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Amparo), decidiu transferir a sede da
paróquia e o núcleo do povoado maricaense para outra margem da Lagoa de Maricá, no local
que conhecemos hoje como Centro de Maricá. Quatorze anos depois, no dia 15 de agosto de
1802, foi celebrada a primeira missa na nova Igreja Matriz, e transladada para ela a imagem
de Nossa Senhora do Amparo, que estava na antiga sede da Freguesia.
Em pesquisas nos antigos jornais, podemos ver que a festa de Nossa Senhora do
Amparo já era comemorada na segunda metade do século XIX, e já nesta época, as
festividades da Padroeira tinham uma concorrência muito grande. Na festa de 1882, por
exemplo, marcaram presença seiscentos fiéis.
Em 1887, foi criada a Companhia Estrada de Ferro Maricá (CEFM), uma empresa
privada criada por nobres maricaenses e responsável pela construção da Estrada de Ferro
Maricá (EFM). Com a criação da linha ferroviária, ficou muito mais fácil vir até a festa de
Nossa Senhora do Amparo. Em dias de novena e da festa, os trens vinham abarrotados de
pessoas que moravam em Inoã, São José do Imbassaí, Manoel Ribeiro, Ponta Negra etc. E
de turistas que residiam na Cidade do Rio de Janeiro, em Itaboraí, Rio Bonito, Araruama e
Saquarema. Nos tempos da festa da Padroeira de Maricá, o número de trens era ampliado,
e a cada trem que chegava na Estação de Maricá, eram deixados centenas de passageiros
e “festeiros” de Nossa Senhora do Amparo.
As comemorações tinham início às 05h do dia 15 de agosto, com a alvorada. Em
meados do século XX, essa alvorada contava com a participação da Banda Furiosa do Caju,
que seguia até a casa do empresário Jacintho Luiz Caetano (fundador da Viação Nossa
Senhora do Amparo), onde era oferecido um café da manhã. Várias missas eram celebradas
ao longo do dia, sendo a missa solene celebrada às 11h, com sermão solene e Te deum.
Inúmeros carros ficavam parados em frente à Igreja Matriz, principalmente no horário da
solenidade, às 11h.
Além das celebrações, a Banda Furiosa do Caju também se apresentava em um coreto
improvisado, que ficava em frente à Igreja. Além da apresentação das bandas, ocorria o
famoso “leilão de prendas”, sendo leiloados bois, galinhas, cabras, joias, pedaços de tecidos
nobres etc. A procissão era feita às 20h e passava pela Avenida Nossa Senhora do Amparo,
percorria a Rua Domício da Gama, subindo a Ladeira dos Correios e chegando até a Rua
Ribeiro de Almeida, virava na Rua Abreu Sodré e, por meio da Rua Abreu Rangel, chegava
de volta à Matriz. As festas terminavam à meia noite, com uma bonita queima de fogos.
Na década de 1940, durante a administração paroquial do Cônego Joaquim Antônio de
Carvalho Batalha (1894-1969), foi criado o hino da Padroeira de Maricá, Nossa Senhora do
Amparo. Esse bonito hino é entoado até hoje no novenário em preparação à festa e nas
missas em honra à Santa, no dia 15 de agosto.
Foto: Renata Gama


Conheça o hino:
“Mãe de Deus, Virgem do Amparo, Padroeira de Maricá.
Volve este olhar Santo e claro aos teus filhos que estão cá.
És nossa luz, nossa vida, nossa fé junto de Deus.
Abençoa nossa lida nestes lares que são seus.
Coro – Senhora do Amparo escuta a prece do coração.
Que sobe da nossa luta nas vozes dessa oração.
Eis o nosso lenitivo neste mundo enganador,
Junto a Jesus Redivivo, seu Filho, Nosso Senhor!
Os que cometem pecados no Brasil, de Norte a Sul,
Certos serão amparados ao beijar seu manto azul”.
Atualmente, a festa de Nossa Senhora do Amparo é considerada Patrimônio Cultural
Imaterial do município de Maricá, e é uma importante demonstração de fé do povo
maricaense.
Texto: Miguel Ângelo Padilha Marques – Pesquisador de História, com ênfase na História de
Maricá e na História do Brasil, e Presidente do IHGAM Mirim.
Revisão: Renata Aymoré Gama – Arquiteta Urbanista, pesquisadora de Patrimônio Cultural
e Presidente do IHGAM.
Fontes bibliográficas:
BRUM, Nilton Cezar Marins. “Contando a História de Maricá” / Cezar Brum. Rio de Janeiro:
Smart Printer, 2016.
Jornal O Fluminense
(1880-1889).
Disponível em:
< https://memoria.bn.gov.br/DocReader/docreader.aspx?bib=100439_02&pasta=ano%20188& pesq=%22Maric%C3%A1%22 >. Acesso em: 25 de julho de 2025.
CAETANO, Maria do Amparo. Jacintho Luiz Caetano: 100 anos de História. Rio de Janeiro:
COP Editora, 2000.
MACHADO, Paulo Batista. “Maricá, meu amor”. Rio de Janeiro: Apex Editora, 1977.
Agradecimentos a: Eunice Coelho, Flavia Souza e Maria Penha de Andrade e Silva.

